fbpx

A neurociência pode aumentar as vendas do seu negócio

Redação DuMoney 6 de dezembro de 2018 atualizado às 14:14

Empresas investem em pesquisas de neurociência aplicada ao marketing digital para medir aceitação e reações a seus produtos

Mulher fazendo eletroencefalograma

Estudos apontam que a neurociência pode ajudar empresas a medirem a aceitação aos seus produtos / Shutterstock

 

Se você estivesse dando uma volta pelo setor de vinhos do supermercado e tocasse uma música francesa, você acha que seria impelido a comprar um vinho francês? Ou se tocasse um fado, iria para a seção de vinhos portugueses?

Pesquisadores da área de neurociência aplicada ao consumo da Universidade de Leicester, na Inglaterra, constataram que sim, as vendas de vinhos variavam de acordo com a música. Esse é apenas um exemplo de como somos fisgados por um produto em detrimento do outro sem perceber.

E os estudos na área de neurociência aplicada ao marketing digital ou ao consumo, que buscam compreender como funciona a mente dos consumidores, vêm conquistando cada vez mais empresas.

Por meio da neurociência, é possível estudar de forma mais objetiva como as pessoas se comportam. A partir daí, é possível extrapolar para outras áreas e saber, por exemplo, como as pessoas se comportam na tomada de decisões ligadas à economia e o efeito que determinados produtos causam no consumidor.

Ana Souza, co-fundadora e co-CEO da Forebrain, consultoria especializada em pesquisas de neurociência aplicada ao consumo, explica que, quando se faz uma pesquisa tradicional com perguntas, a resposta não é necessariamente verdadeira. O neuromarketing mede a reação neurobiológica:

“Os estudos são focados na avaliação de reações neurobiológicas do consumidor, possibilitando uma interpretação do seu comportamento de uma maneira diferenciada. O neuromarketing tem como principal função avaliar os diversos pontos de contato com o consumidor, trazendo à tona seus desejos e necessidades mais profundos”, diz Ana, ressaltando que existem metodologias que podem ser aplicadas a diferentes tipos de testes, tudo dependendo do objetivo do cliente. “Há metodologias relativas à atenção do consumidor, outras mais utilizadas para avaliação de percepção emocional e outras para análise da memória”.

LEIA MAIS: Os robôs que se destacam no mercado de investimento automatizado

 Auxiliados por equipamentos de eletroencefalograma (EEG), eyetracking (rastreamento ocular), mapeamento facial e avaliação de sudorese, pupilometria e salivação, os neurocientistas esperam obter dados relevantes que possam explicar melhor as expectativas, preferências, motivações e comportamentos relacionados com o consumo, ajustando as estratégias das empresas.

A ética é um debate frequente nas discussões sobre as pesquisas neurocientíficas no campo do consumo. Ana alega que são diversos os fatores que contribuem para o crescimento da neurociência nesta área, e um deles é justamente sua postura ética. Ela lembra que pesquisas revelam que quase 80% de tudo o que é lançado no mercado é descontinuado após seu primeiro ano de lançamento.

“Este desperdício econômico resulta em uma limitação ainda maior de acesso para os consumidores de produtos e serviços, e por isso a otimização da compreensão de quais são os fatores que fazem a diferença para o consumidor é essencial para a melhora no nível de saúde das relações mercadológicas entre consumidores e mercado. O uso da neurociência passa a ser extremamente benéfico para possibilitar o desenvolvimento de ações e produtos sustentáveis para o indivíduo e a sociedade. Além disso, é importante mencionar o fato de que apenas avaliamos o que mais gera engajamento, aproximação ou afastamento e memória no consumidor, não existe possibilidade de influenciarmos os consumidores a realizarem qualquer tipo de ação de compra”, ressalta Ana. 

Embora o neuromarketing ainda esteja em seus primeiros passos, várias corporações estão desenvolvendo pesquisas nessa área. Na Forebrain, marcas de diferentes segmentos como Grupo Boticário, L’Óreal, Pet Food e Mapfre já aplicaram a ciência em suas estratégias de desenvolvimento de produtos ou campanhas publicitárias. Outras companhias com cases conhecidos são Hyundai, Microsoft, Nielsen, General Motors, Ford, GE, Coca-Cola, McDonald’s, Levi-Strauss e Delta Airlines.

“Nós queremos saber o que os consumidores pensam sobre o carro antes que comecemos a fabricar milhares deles”, disse o gerente de estratégia de marca da Hyundai, sobre uma pesquisa feita a partir de testes de usabilidade do veículo. Para isso, 15 mulheres e 15 homens foram colocados dentro do carro, e enquanto o usavam, eram monitorados através de um eletroencefalograma para observar as atividades cerebrais. Essas atividades foram interpretadas e, através dessa interpretação, os pesquisadores observaram preferências que levavam o consumidor a uma possível decisão de compra.

No caso da Microsoft, que também investiu em pesquisas que faziam uso da metodologia do eletroencefalograma, o objetivo foi entender como campanhas publicitárias que apareciam durante o uso de videogames eram percebidas pelos usuários de games. Dessa maneira, eles descobriram o quão engajados estavam os jogadores durante o uso do Xbox.

Em Marketing Digital

Recomendadas para você