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Quais os riscos do culto aos CEOs de empresas que se tornaram celebridades

Redação DuMoney 30 de outubro de 2018 atualizado às 17:49

Não há problema em ter uma referência de um líder, mas isso não pode atrapalhar para que haja criação de lideranças colaborativas dentro da companhia

Ambiente de trabalho: as tarefas de alguém certamente dependem das atividades de outros / Schutterstock

 

Vivemos a era dos CEOs celebridades, das convenções de mega empresas e do culto aos grandes líderes. É importante logo dizer que não há problema em exaltar ou se espelhar em homens ou mulheres de negócios. O problema é que focar apenas em uma pessoa, toda essa idolatria pode provocar o esquecimento de um dos aspectos mais importantes da liderança: a condução do trabalho em equipe.

Ninguém faz nada sozinho numa empresa. As tarefas de alguém certamente dependem do trabalho de outro. Ou, talvez, a atividade de outra pessoa pode trazer benefícios para você. Ou seja, você pode não perceber, mas o trabalho em equipe é o que sustenta uma organização. Agora,  se é assim, por que hábitos pessoais de líderes como Bill Gates, da Microsoft, Jeff Bezos, da Amazon ou Steve Jobs (enquanto esteve à frente da Apple) se tornam tão elogiáveis?

UMA NOVA ABORDAGEM DENTRO DAS EMPRESAS

Embora haja, inquestionavelmente, um aspecto individual para a liderança, há uma mudança no mercado: está se tornando cada vez mais importante buscar o sucesso com uma abordagem colaborativa. Na verdade, temos visto um aumento nas histórias nos últimos tempos, onde os líderes individuais têm se concentrado tanto em suas agendas pessoais, que cometeram grandes erros para a empresa.

Tomemos o exemplo recente de Travis Kalanick, ex-CEO do Uber, que colocou sua empresa em uma situação difícil ao reforçar uma cultura disfuncional, levando à sua saída. Ou ainda o sul-africano Elon Musk, CEO da Tesla, que teve que deixar a direção do conselho da empresam, após protagonizar uma sucessão de episódios que provocaram o constrangimento dos investidores.

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Essas falhas revelam que a falta de uma cultura de liderança coletiva prejudica a capacidade da empresa de competir no complexo ambiente de negócios atual. É a velha história: o líder é tão a cara da empresa que, quando está abalado ou sai, a empresa perde força.

Na verdade, quando isso ocorre, é sinal também que não há não houve uma preocupação de formar equipes que consigam dar o apoio necessário para o líder.  Sobretudo, a liderança não pode mais depender muito de um único indivíduo: as decisões corretas, tomadas em um ritmo alucinante, dependem de uma equipe de liderança colaborativa e alinhada.

Mas as empresas percebem a liderança como algo coletivo? Em um estudo recente feito pela rede especializada em formação de líderes Global Leadership Forecast 2018, com entrevistas com mais de 25 mil líderes pelo mundo, de quase 2500 empresas, em 54 países, por enquanto, não.

A real liderança compartilhada em muitas organizações ainda é apenas uma aspiração. Isso porque apenas uma pequena maioria dos líderes afirmou acreditar que eles fazem parte da tomada de decisões compartilhadas em suas empresas ou que os líderes realmente colaboram para tomar decisões mais eficazes.

Interessante notar que, segundo o estudo, empresas com liderança coletiva são muito mais ágeis e prontas para o futuro, sendo cinco vezes mais propensos a ter uma liderança mais forte e ter alta retenção de líderes.

Na pesquisa, segundo as respostas dos líderes, ficou claro que o custo do desalinhamento dentro da empresa pode ser alto, especialmente nos escalões mais altos. Nas organizações cujos líderes sentiam que a liderança coletiva era alta foi notado que o bens estar e confiança dos trabalhadores era maior.

“Em determinadas empresas e em determinados momentos, é necessário desenvolver a liderança coletiva. Isso dá resultados. Em uma companhia muito grande precisa ter uma delegação de tarefas. Tudo ajuda se existir uma cultura da empresa, que fará com que toda a equipe esteja alinhada com a mesma filosofia”, afirma Heloísa Cruz, analista financeira.

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