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Poucos líderes conseguem estudar estratégia. Aprenda a não cair nessa

Redação DuMoney 24 de julho de 2018 atualizado às 12:43

Estudar estratégia se tornou uma ações mais importantes para uma organização ter sucesso. Pesquisa aponta que assunto é valorizado, mas poucos líderes praticam

estudar estratégia, CEOs

Pesquisa aponta que líderes consideram importante estudar estratégia / Schutterstock

 

Quase todo líder quer ter tempo para pensar estrategicamente. De acordo com uma pesquisa realizada em 140 países, 97% dos líderes seniores consideram que ser estratégico é o comportamento de liderança mais importante para o sucesso de suas empresas.

O estudo global foi feito pelo Management Research Group (MRG), que avaliou práticas de liderança de 10 mil gerentes e executivos. Mas de acordo com outra pesquisa, dessa vez da Escola de Administração de Rotman, 96% dos líderes dizem não ter tempo para pensamento estratégico – foram entrevistados 500 profissionais.

Em um artigo publicado na Harvard Business Review, Dorie Clark, uma estrategista de marketing e professora da Escola de Negócios de Fuqua da Universidade Duke, fala sobre alguns fatores que dificultam o pensamento estratégico de alguns líderes.

FALTA DE INCENTIVO POR PARTE DAS EMPRESAS

De acordo com as pesquisas, os próprios executivos sabem que é imperativo seguir alguns passos para priorizar o tempo e tomar decisões mais estratégicas, mas isso não acontece. Então, o que poderia causar essa disparidade entre os objetivos e as ações desses líderes?

Uma questão levantada por Dorie é a falta de incentivos pelas companhias, que às vezes trabalham assim de forma inconsciente. Mesmo para profissionais seniores, existe uma pressão cultural para trabalhar longas horas, o que geralmente é visto pelas empresas como sinônimo de lealdade e produtividade. Pesquisas mostraram que empregados que trabalham mais de 50 horas por semana ganham 6% a mais em bônus que os colegas que trabalham em horário normal.

No entanto, um estudo publicado pelo pesquisador John Pencavel, da Universidade de Stanford, atesta que a produtividade diminui para aqueles que trabalham mais de 50 horas por semana. De acordo com o estudo, outras atividades seriam mais efetivas em estimular o pensamento estratégico e criativo, como caminhar ao ar livre.

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STATUS MODERNO: OCUPADO

Outra barreira citada por Dorie é um bloqueio interno. Ela destaca que, hoje em dia, nos Estados Unidos, estar sempre ocupado é sinal de status: “Falando para os outros que estamos ocupados e trabalhando o tempo todo, estamos sugerindo implicitamente que somos muito requisitados.”, diz.

Somando-se às demandas reais dos nossos horários, temos também um impulso de nos apoiar na sobrecarga: é a marca de nosso sucesso profissional. Pode ser que executivos inconscientemente relutem a renunciar a injeção de autoestima que é “estar ocupado”, provoca Dorie.

Considerando essas pressões — tanto internas quanto externas — que nos empurram para longe do pensamento estratégico, a professora lista três formas de executivos melhorarem esse aspecto em suas lideranças.

COMO CONSEGUIR ESTUDAR ESTRATÉGIA: PLANEJAMENTO É O PRIMEIRO PASSO

Primeiro, é necessário ter em mente que pensamento estratégico não toma muito tempo; não é preciso tirar longos sabáticos ou ir a retiros de liderança. Como Dorie diz em seu livro Stand Out, “Você não precisa de tempo para ter uma boa ideia, precisa de espaço. Ter uma ideia inovadora ou tomar uma decisão requer zero tempo, mas se você não tem espaço físico, essas coisas não chegam a ser impossíveis, mas são subaproveitadas”.

Mesmo com tempo limitado e a mesma quantidade de responsabilidades, é muito mais fácil pensar estrategicamente se você preparar o terreno. Segundo Dorie Clark, coisas simples como anotar todas as tarefas pendentes em um lugar só, para que possa cumpri-las sem ficar com a constante sensação de que esqueceu alguma coisa, já são grandes passos para driblar a sensação de que falta tempo.

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A segunda dica é introduzida pela estrategista citando seu próprio experimento. Ela registrou como gastava seu tempo durante um mês, anotando o que fazia de meia em meia hora. Segundo ela, não é um projeto fácil de ser feito, mas os dados recolhidos no final a levaram a perceber melhor como gastava seu tempo.

Essa autoanálise levou-a à conclusão de que existem tarefas que podem ser combinadas entre si, adiadas ou terceirizadas para conseguir algumas horas extras por semana. E, segundo ela, isso seria mais do que suficiente para sair do corre-corre diário e fluir para um estado de pensamento estratégico e criativo.

E finalmente, uma vez que estamos cientes da máxima implícita “ocupado=importante” que rege nossa cultura, pode ser mais fácil abrir mão disso e adotar um comportamento mais indutivo ao pensamento estratégico. Na perspectiva do empreendedor e escritor Derek Sivers: “Estar ocupado é o que acontece quando se está à mercê do horário de outra pessoa”.

É improvável que nossas responsabilidades diminuam. Na verdade, quanto mais ascendemos em nossas carreiras, maiores às expectativas de produtividade. Devido a essa tendência, Dorie ressalta que sem um esforço direcionado, o pensamento estratégico se esconderá – de novo – na base da lista de tarefas, apesar de sabermos o quão importante ele é.

Tomando ciência dos obstáculos que nos impedem de arranjar tempo para estratégia e progredindo no sentido de inserir o pensamento estratégico em nossas vidas, podemos alcançar um objetivo que nós e 97% de outros líderes consideramos fundamental.

 

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