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Artigo – Culto ao CEO: como as empresas devem organizar a liderança

Redação DuMoney 22 de outubro de 2018 atualizado às 15:46

Em artigo, especialista em desenvolvimento pessoal fala que a centralização do poder do CEO pode não ser a melhor prática dentro das empresas. Há uma nova forma de investir na organização empresarial. Confira no texto abaixo

Por Adriana Gattermayr
adriana@gatter.com.br

Qualquer profissional inserido ou não no mercado de trabalho sabe o quanto a velocidade das mudanças no comportamento, na tecnologia, nas expressões artísticas e nos negócios são difíceis de acompanhar. Apesar de millennials estarem mais acostumados ao ritmo atual, o fato é que uma pessoa só não dá conta de estar por dentro de tudo o que ocorre para conduzir uma liderança completamente antenada e com as informações necessárias para o sucesso do negócio.

Esperar de um líder que ele esteja à frente de toda a inovação e de posse de todas as informações é injusto e inviável. Mas as empresas já começam a perceber que oferecer serviços em rede passa a ser a tendência do negócio também. Internamente, o trabalho começa a se transformar de pequenas células com líderes para grandes redes, em que todos estão interligados e todos tem uma parte nesta tarefa hercúlea de acompanhar as mudanças do mundo.

Neste novo cenário, o papel do CEO deve deixar de ser o de estrela, passando para o de de facilitador. Essa nova posição permite o livre fluxo e informações e ideias, ou seja, a liderança coletiva. Toda a movimentação do mercado se prepara para isso, mas ainda falta muito para chegar lá.

Uma liderança coletiva requer dos colaboradores altos níveis de accountability (uma mistura de honestidade, transparência, responsabilidade e ownership), de inteligência emocional e de autogestão.

E a cultura brasileira, infelizmente, enfatiza muito o “eu”, o “o que eu ganho com isso”, o “este problema não é meu”, o que dificulta muita o desenvolvimento de um trabalho em rede nas empresas. No entanto, se a cultura da empresa já tiver um viés forte de colaboração e coletividade, como pequenas statups de serviços já baseadas em redes, a transição fica mais fácil.

Outro ponto importante é a empresa e suas lideranças atuais abraçarem a nova forma de fazer negócio. Se o CEO e as lideranças próximas ao presidente não toparem a diluição do poder, não haverá coletividade. O trabalho em rede depende essencialmente do entendimento, aceitação do outro como igual e com igual capacidade de contribuição. Os que se destacam em seus afazeres podem atuar como facilitadores, para que a descentralização não vire “barco sem rumo”, mas não para virarem chefes que determinam sozinhos as direções.

Para conseguir esse tipo de alteração de mindset, só com muito treinamento, programas de desenvolvimento pessoal focados em accountability e inteligência emocional. Mas hoje, todos os programas de treinamento nas empresas estão voltados para o desenvolvimento de lideranças nos moldes antigos.

Embora pareça distante ainda da nossa realidade, esse tipo de organização colaborativa tende a funcionar melhor no atual contexto do mundo com a velocidade das inovações. As empresas que conseguirem implantá-lo, certamente sairão na frente.

ADRIANA GATTERMAYR é especialista em desenvolvimento pessoal, certificada pela IAC e membro do ICF (International Coaching Federation). Promove treinamentos relacionados à carreira e é autora do blog O Poder da Gentileza nos Negócios.

Em Liderança

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