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Nobel de Economia Revela Detalhes Sobre Novo Livro, “Ruído”

Daniel Kahnemann avisa que, se você gostou de Rápido e Devagar, o novo título será tão ou ainda mais importante

Redação DuMoney 29 de março de 2019 atualizado às 19:42

Nobel de Economia fala sobre livro que será lançado em 2021 (foto Facebook)

 

Depois de ganhar o Prêmio Nobel de Economia, o psicólogo israelense Dainel Kahnemann lançou seu livro Rápido e Devagar. Já faz tempo, foi em 2011, e a obra figurou entre as mais vendidas do mundo dos negócios. Quando o livro fizer 10 anos, em 2021, Kahnemann deve lançar Ruído. O autor avisa que, se você gostou de Rápido e devagar, o novo título será tão ou ainda mais importante

Aos 84 anos, ele mira no que chama de “ruído”, escrito em parceria com Olivier Sibony e com o jurista e professor de Harvard, Cass Sunstein. Passamos muito tempo estudando como o viés altera nosso julgamento, explica Kahneman. Porém, mal começamos a pensar sobre o problema do ruído.

Numa entrevista recente ao economista Tyler Cowen (trecho da tradução a seguir foi publicado pelo site gaúcho Fronteiras do Pensamento), Kahnemann explicou o tema.

“Falaremos sobre como o ruído é um problema subestimado e que há algo sobre as duas formas de pensar que proponho em Rápido e devagar, que eu chamo de estatístico versus causal.

O ruído é uma forma claramente estatística de olhar para as coisas e o viés é inerentemente causal – então, a interação de ambos forma o pensamento. Se você quiser reduzir os ruídos, já temos uma boa ideia do que você pode fazer para gerar uma uniformidade maior e superar a vulnerabilidade das pessoas aos mais variados tipos de influência.”

Ruído Real

Em outro trecho da entrevista, o psicólogo revela porque se aproximou da abordagem de Ruído: ”

“Deixe-me explicar o que quero dizer por ruído. Trata-se apenas de variabilidades aleatórias. O ruído é real dentro dos indivíduos, mas é especialmente verdadeiro entre indivíduos que deveriam trocar de posição dentro de organizações.

Vou lhe contar como começou o experimento que fez surgir meu fascínio pelo ruído. Eu estava trabalhando em uma empresa de seguros e fizemos um experimento padrão. Eles construíram casos, muito rotineiros, casos padrão. Eram casos caros, não estamos falando de seguros para carros. Estamos falando de seguros para empresas contra riscos de fraude.

Então, você tinha especialistas trabalhando nisso. É o que eles fazem. Os casos eram construídos de forma muito realista, eram coisas que você espera de fato encontrar no cotidiano.

Suponhamos que você pega dois especialistas em seguros randomicamente. Você cria um padrão para o valor determinado por eles, você pega a diferença destes valores e divide a diferença pela média.

Por qual porcentagem estas pessoas diferem? Bem, você sequer esperaria que elas diferissem em suas avaliações. Há uma resposta comum, que encontrei quando perguntei às pessoas e aos executivos. É algo como 10% de variação no valor determinado por cada um. É isso que eles esperavam ver de seus funcionários.

Tempo perdido

Porém, a diferença nos valores foi de 50%. 50%. Isso significa que os especialistas em seguros estavam simplesmente jogando seu tempo fora quando avaliavam o risco. Isso é ruído e você encontrará variabilidade através dos indivíduos, uma variabilidade que não deveria existir.

E você também encontrará uma variabilidade dentro dos indivíduos, dependendo do turno do dia, do clima. Muitas coisas influenciam a forma com que as pessoas julgam: se elas estão com fome ou se já almoçaram afeta a decisão, e coisas do gênero.

Agora, é difícil dizer se há mais ruído ou viés. Porém, uma coisa é certa: o viés foi superestimado à luz do ruído. Virtualmente, toda a literatura e muito debate público se dá em torno do viés. Mas, na realidade, acredito eu, o ruído é extremamente importante e muito prevalente.

Há um fato interessante – de que o ruído e o viés são fontes independentes de erro, então, reduzir qualquer um dos dois melhoraria a acurácia da decisão. E os procedimentos através dos quais você minimiza o viés ou o ruído não são os mesmos. Então, é por isso que estou fascinado ultimamente.”

Leia mais: Kahnemann: 7 Pensamentos de Um Megainvestidor

 

Em Kahnemaneando

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