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Kahnemaneando: você confia na sua intuição?

Redação DuMoney 25 de outubro de 2018 atualizado às 19:20

Até que ponto você confia em sua intuição? Muita gente costuma confiar no que é conhecido como “sexto sentido” e tomar decisões fundamentadas em primeiras impressões, ainda que os fatos não estejam totalmente claros

mulher olhando um mapa e uma bússola

Para Kahneman, devemos saber diferenciar os momentos de confiar na intuição e quando buscar informações mais embasadas / Shutterstock

 

Quando aborda as previsões intuitivas, Daniel Kahneman, psicólogo econômico e ganhador do Nobel de Economia em 2002, menciona a importância de equiparar previsões com evidências, mas sem descartar a grande dificuldade que existe neste processo.

A vida nos apresenta inúmeras ocasiões para previsões. Os economistas fazem suposições sobre inflação e desemprego, os analistas financeiros fazem prognósticos sobre lucros, especialistas militares preveem baixas, investidores em capital de risco avaliam lucratividade.

Alguns julgamentos preditivos, como os que são feitos por engenheiros, apoiam-se basicamente em tabelas de dados, cálculos precisos e análises detalhadas de resultados observados em ocasiões semelhantes.

Outras intuições surgem da atuação de vieses cognitivos que, com frequência, nos enganam e nos  fazem achar que estamos tomando decisões racionais, quando na verdade nossa cabeça está pegando atalhos. Mas não se engane, podemos nos sentir bastante confiantes fazendo esses julgamentos intuitivos, mesmo quando estão baseados em evidências fracas.

Quando não vemos nenhuma evidência, damos mais peso ao julgamento intuitivo e acabamos com um resultado afastado da média. Por outro lado, se temos informações que podem nos ajudar a avaliar a situação de um modo mais abrangente, tendemos a tomar uma decisão mais ponderada.

Por exemplo, em uma avaliação acadêmica, um departamento precisa contratar uma professora com nível satisfatório de produtividade científica:

  • Kim completou o trabalho de graduação recentemente, tem ótimas recomendações e deixou todos impressionados nas entrevistas, mesmo sem ter produtividade científica no currículo.
  • Jane faz pós-doutorado há três anos, é muito produtiva e tem histórico de pesquisa excelente, mas ela não impressionou tanto na entrevista como Kim.

Diante deste quadro, a escolha intuitiva tende para Kim, tendo em vista a forte impressão deixada por ela. O currículo de Jane, em contrapartida, fornece elementos suficientes para acreditar que a opção “correta” seria a contratação dela.

O investidor em capital de risco frequentemente se vê em dilemas similares. Se precisa escolher, por exemplo, entre investir em uma pequena empresa com produto bem definido e ganhos racionalmente comprováveis ou aplicar em um outro negócio que parece mais empolgante e inovador, porém com perspectivas mais arriscadas.

Devemos buscar informações sempre, para não nos deixar levar completamente pela intuição. Por outro lado, sem a intuição abrimos mão da possibilidade de apostar no feeling e ganhar alto, ainda que correndo riscos. O discernimento de quando usar um e quando seguir o outro depende de um trabalho constante de nossas mentes.

Em Kahnemaneando

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