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Conceito “Rápido e Devagar” de Kahneman: o lado racional ganha do intuitivo?

Redação DuMoney 2 de outubro de 2018 atualizado às 12:00

Segundo Kahneman, nossa mente divide funções entres dois sistemas: um rápido, intuitivo e irracional, e outro, devagar, lógico e complexo. Veja como isso influencia no processo de tomada de decisão

imagem conceitual de cérebro dividido entre racional e criativo

Para Daniel Kahneman, temos duas formas de pensar. Uma rápida e outra devagar / Shutterstock

 

Investidores inexperientes, que subestimam dados estatísticos por acreditar no feeling, logo aprendem que a intuição é altamente falível. Por isso, o prêmio Nobel de Economia Daniel Kahneman avisa: “Aprenda a reconhecer as situações mais suscetíveis a enganos e evite a intuição se fizer uma aposta alta”.

Em seu livro “Rápido e Devagar: Duas formas de pensar”, Kahneman revela como a intuição pode nos iludir em questões simples. A espinha dorsal do livro é a divisão que o autor faz da mente humana em dois componentes, chamados de sistemas. O sistema 1 toma decisões rápidas, de maneira intuitiva, emocional e sem esforço, baseadas em nossa memória associativa. Já o sistema 2, mais lento, é acionado quando nos encontramos em uma situação que exija concentração e raciocínio.

É o sistema 1 que nos faz lembrar do número 4 quando vemos a operação 2+2. Nem precisamos fazer a conta. Já o sistema 2 assume o comando quando nossa memória não tem recursos suficientes para dar uma resposta automática, como, por exemplo, ao nos deparar com a operação 334 x 897.

As falhas de interação dos modos de pensar é o que nos leva a equívocos e enganos na hora de tomar decisões. O sistema 1 está continuamente gerando sugestões para o sistema 2: impressões, intuições, intenções e sentimentos. Se endossadas pelo sistema 2, impressões e intuições se tornam convicções, e impulsos se tornam ações voluntárias. Quando tudo funciona bem – o que acontece na maior parte do tempo – o sistema lento adota as sugestões do sistema rápido com pouca ou nenhuma alteração. Você geralmente acredita em suas impressões e age segundo seus desejos, e tudo bem.

No entanto, o sistema 1 tem vieses – erros sistemáticos que ele tende a cometer em ocasiões específicas. Ele às vezes responde a perguntas mais fáceis do que a que foi feita, aceita fatos sem embasamento e exibe pouco entendimento de lógica e estatística. São esses deslizes que devem ser reconhecidos e evitados pelos investidores, sejam experientes ou não.

Segundo Kahneman, investidor sábio não verifica muitas vezes os retornos das aplicações. “Pessoas que verificam todos os dias cometem mais erros do que as pessoas que não o fazem.” O motivo? Maior risco de entrar em pânico e mexer na carteira desnecessariamente. Ou seja, de ser levado pela emoção ou intuição (sistema 1).

Um erro clássico de interação entre os sistemas ocorre quando achamos que estamos pensando com o sistema 2 (lento), mas, de fato, é o sistema 1 (rápido) que sugere uma resposta e o sistema 2 apenas aceita, corroborando a tese autossugerida.

Ao elegermos tal resposta como correta, assumimos uma postura equivocada de buscar argumentos que amparam aquilo que decidimos acreditar. Ou seja, tomamos a decisão antes, e deixamos para olhar os argumentos depois.

 

Em Kahnemaneando

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