fbpx

As consequências do cenário eleitoral no mercado financeiro

Redação DuMoney 12 de setembro de 2018 atualizado às 16:45

Em ano de eleição tudo pode influenciar o mercado. Uma declaração polêmica, um resultado de pesquisa ou uma denúncia. Veja a opinião de especialistas sobre o que esperar nessa época de incertezas

As eleições podem influenciar o mercado financeiro de diferentes formas / Shutterstock

 

O mercado financeiro é suscetível às informações que podem trazer impacto para a economia. No casos das eleições, pode reagir, por exemplo, de acordo com os planos de governo dos candidatos: se forem apresentadas medidas mais conservadoras, reage de uma certa maneira; já, se a ideias tem um viés mais liberal, o impacto é outro.

A taxa de câmbio e o Ibovespa também podem sofrer com as eleições, pois variam de acordo com os resultados das pesquisas eleitorais. As alterações e incertezas no âmbito político podem gerar a valorização ou desvalorização de certas empresas, resultando em maiores variações na Bolsa.

Importante dizer que se a possibilidade de vitória de um candidato “indesejado” pelo mercado, o financiamento da dívida pública fica mais caro, e isso pesa nas contas do governo. Esse déficit dificulta investimentos em setores como educação e saúde, por exemplo. 

Tendo isso em vista, investidores e empresários geralmente preferem se resguardar durante esse período.

LEIA MAIS: Ambiente de trabalho: três pontos para melhorar o da sua empresa

Mas, o que esperar do mercado nesse momento de incertezas? Pensando nisso, DuMoney conversou com a analista financeira Heloisa Cruz e com o economista e professor da UERJ Bruno Sobral. Veja o que cada um diz sobre o tema:

 

Na sua visão, qual o impacto das eleições no mercado financeiro?

Heloisa Cruz: No curto prazo, depende de quem vai vencer as eleições e o que vai fazer em seguida. Como se ganha dinheiro na bolsa? Você vai ganhar se as empresas lucrarem mais e se mais pessoas quiserem comprar uma ação.

 

Bruno Sobral: Períodos de eleição geralmente são nebulosos. Ainda mais em uma eleição como esta em que há uma grande indeterminação. A meu ver, em momentos como este, o aspecto político acaba “subordinando” um pouco o econômico. Quando ficar clara a orientação política do próximo governo, vamos conseguir definir com certa previsibilidade como o mercado vai se mover.

 

Então, quais seriam as propostas dos candidatos que agradariam mais o mercado?

Heloisa Cruz: Alguém que propõe um estado mais enxuto. Se ganha um candidato fiscalmente responsável, a favor da competitividade entre empresas e a favor do livre mercado, a tendência é que a bolsa tenha um desempenho melhor porque o estrangeiro passa a confiar mais no país. Se você pega um estado inchado e corrupto, faz com que as empresas ganhem menos dinheiro.

 

Bruno Sobral: Percebo um discurso muito raso dos candidatos no tocante à economia. Geralmente, só criticam a corrupção generalizada e o legado negativo do governo anterior. Quando pressionados, tentam agradar dizendo que vão tomar essa ou aquela medida, mas de forma muito solta e frágil.

 

LEIA MAIS: O que muda com a chegada das redes 5G

 

E quais são as preocupações do mercado nestas eleições?

Heloisa Cruz: Existe uma preocupação fiscal do Brasil não conseguir pagar suas contas. Isso se deve, entre outras coisas, pelo déficit previdenciário. Desde o governo Lula, isso é discutido. Só que ninguém quer votar essa matéria porque é impopular.

 

Bruno Sobral: Nesse momento, o mercado está com uma grande incerteza, pois vê o movimento da população tendendo à esquerda, mas ainda tem uma grande indeterminação de como vai processar isso. O mercado tem que buscar entender o lugar de destaque no “conserto” político que vai ter depois das eleições. Temos que sair dessa polarização e buscar mediar o debate político.

 

Em Investimentos

Recomendadas para você