fbpx

Artigo: Um tesouro escondido na Bolsa de Valores

Redação DuMoney 13 de setembro de 2018 atualizado às 18:39

Este é o primeiro artigo de opinião de uma série sobre Investimentos em Ações. Os conteúdos publicados daqui para frente vão tratar do mercado de ações no Brasil, abordando empresas, setores e temas relevantes para o leitor

 

Por Luiz Guilherme Dias
lg.dias@sabe.com.br

A privatização de empresas pode fazer muito bem para os negócios. Não quero aqui dizer que no setor público não há exemplos de boa gestão, mas, em alguns mercados, é mais difícil encontrar companhias bem administradas. Tome como exemplo o caso das ex-estatais CEMAR, no Maranhão, e CELPA, no Pará. Ambas eram distribuidoras de energia elétrica que vinham acumulando prejuízos, prestando maus serviços e dando prejuízos recorrentes.

A história dessas duas empresas teve uma reviravolta: a dupla saiu das mãos dos governos estaduais e passou a ser controlada pela Equatorial Energia, holding brasileira que atua em todas as frentes do setor elétrico: geração, transmissão, distribuição, comercialização e serviços. E outro fator fez toda diferença para a mudança: no ambiente privado, as duas companhias passaram a praticar um sistema de gestão que preza pela meritocracia dos seus colaboradores.  

O REFLEXO NO MERCADO DE AÇÕES

A compra da CEMAR ocorreu em 2006, e até hoje é visto como um dos bons cases de reestruturação do mercado. Já a CELPA foi comprada sete anos depois, quando a Equatorial Energia já havia adquirido um belo “know-how” no mercado. E foi justamente neste período pós-compra que a empresa virou um tesouro dos investidores que, curiosamente, ainda é bastante desconhecida até para quem é habitué da Bolsa de Valores. 

De 2010 a 2017, a companhia, listada no Novo Mercado da Bolsa de Valores, teve um desempenho econômico-financeiro de dar inveja a muitas empresas. Considerando a taxa composta de crescimento anual (CAGR), a receita líquida da empresa cresceu 22,41% ao ano, o Lucro Antes dos Impostos (EBITDA) aumentou 17,09% ao ano e o Resultado Líquido evoluiu em 19,69% ao ano. Para quem tinha os papéis da Equatorial Energia, a notícia foi boa: graças ao crescimento dos lucros neste período, R$ 843 milhões de dividendos foram distribuídos aos acionistas.

Sob a ótica do desempenho na Bolsa, a ação Equatorial ON (EQTL3) teve, nos últimos cinco anos, um excelente desempenho, com valorização de 191,11%, contra 46,70% do Ibovespa. Superou também aplicações de renda fixa no mesmo intervalo de tempo.

 

O GRÁFICO ABAIXO ILUSTRA O DESEMPENHO DA COMPANHIA

 

 

 

DESEMPENHO NO SETOR

Lançando um olhar no desempenho dela dentre outras 49 companhias que compõem o setor de Energia Elétrica na Bolsa de Valores, nota-se que a Equatorial ocupou em 2017 a 11ª posição no ranking por receita líquida (R$ 9,1 bilhões) e a 5ª posição por lucro (R$ 1,2 bilhões). Além disso, manteve um grau de endividamento de 4,22, medido pela relação dívida líquida/EBITDA, bem abaixo da média do setor (7,40).

A Equatorial Energia reúne hoje bons fundamentos, apresenta um ótimo desempenho, tanto em termos econômico-financeiros quanto na Bolsa, e vem criando valor significativo para seus stakeholders. Será que a companhia tem fôlego para continuar crescendo? A lenta retomada da economia, prejudicada pela greve dos caminhoneiros e pela incerteza sobre as eleições presidenciais certamente influenciará o desempenho da Equatorial e de outras empresas do setor.

LUIZ GUILHERME DIAS é Conselheiro de Administração Certificado (IBGC), Professor, Criador e CEO da SABE Consultores e seus processos de Inteligência Artificial e Algoritmos de Percepção de Mercado (Benchmarking).

Em Investimentos

Recomendadas para você