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O segredo do sucesso das vendas dos carros elétricos não é (só) o preço

Redação DuMoney 19 de setembro de 2018 atualizado às 12:07

O recente sucesso de vendas dos carros elétricos não é apenas a baixa dos preços. Em 2017 1 milhão de veículos foram vendidos no mundo. Veja os prós e contras 

carro elétrico sendo carregado em estação

Aumento de vendas de carros elétricos foi causado por incentivos do governo / Shutterstock

 

Cerca de 1 milhão de carros elétricos foram vendidos no mundo, em 2017. É um novo recorde, graças ao crescimento de 57% liderado pela China, segundo o relatório da Agência Internacional de Energia (AIE).

Em termos de fatia de mercado, o país mais avançado na questão é a Noruega, onde 39% dos novos carros vendidos em 2017 tinham este tipo de motor, segundo a AIE.

Em seguida aparecem Islândia e Suécia, onde os veículos eletrificados representaram 11,7% e 6,3% das vendas, respectivamente.

Caminhando a passos lentos, no Brasil, as vendas até subiram 65% de janeiro a maio deste ano, na comparação com o mesmo período de 2017 (de 947 unidades para 1562, em números absolutos). Mas o crescimento ainda mostra que o país ainda está distante do patamar de países europeus. Por aqui, do total da frota, os carros elétricos representam apenas 0,16.

O SEGREDO DO SUCESSO

Uma das principais explicações para o incremento da produção e venda de veículos elétricos pelo mundo é o incentivo dado por governos. Na Noruega, por exemplo, colocou em prática medidas que beneficiam automóveis elétricos, como a redução ou mesmo isenção de impostos de circulação de mercadorias, além de liberação de pagamento de pedágio, estacionamento sem custo nas cidades, etc.

Com a concessão de ajuda governamental, a produção de veículos elétricos acelerou pelo mundo. E aí vale uma das regras mais básicas do livre mercado: quando a oferta aumenta, o preço cai, o que torna o produto mais acessível. Empresas aproveitaram a oportunidade para desenvolver indústrias mais eficientes e o principal impeditivo da popularização dos automóveis elétricos, o alto custo de produção das baterias, foi sendo diluído.

“Ganhar a simpatia dos governos foi fundamental para o sucesso do carro elétrico. No Brasil, ainda não houve isso, mas me parece um caminho sem volta”, afirma o professor de Economia da UNB, Carlos Alberto Ramos.

QUANDO A ‘MODA’ COMEÇOU

O primeiro carro elétrico nos EUA foi construído por William Morrison, em 1891, e foi bastante popular por lá até os anos 30. O declínio ocorreu devido o crescimento da malha rodoviária norte americana bancado pelo forte lobby das empresas de petróleo e, sobretudo, havia um problema: carros elétricos eram inviáveis para viagens longas devido pouca autonomia.

A popularidade voltou no fim dos anos 90 e vem surfando a onda da sustentabilidade e redução de emissão de gases poluentes. Depois que a Tesla lançou (no espaço, literalmente) o Roadster – carro elétrico esportivo de luxo – os veículos com motor movido a eletricidade ganharam visibilidade.

Em 2017, as montadoras tradicionais, como BMW e General Motors, estavam investindo em veículos elétricos. Após uma década da aceitação inicial, espera-se que virem tendência de mercado até o início da década de 2020. Alguns países da Europa têm planos de substituir totalmente a frota movida a combustíveis fósseis até 2040.

carro no espaço com planeta terra ao fundo

Tesla Roadster lançado no espaço pela SpaceX, empresa de iniciativa espacial de Elon Musk, dono da Tesla / SpaceX

PRÓS

A vantagem incontestável é a redução da poluição urbana inclusive a poluição sonora, já que carros elétricos são mais silenciosos. Outro benefício é o desempenho: ao pisar no acelerador, a energia é imediatamente entregue as rodas o que torna o tempo de resposta bastante curto. Em teste da revista Quatro Rodas, um carro elétrico foi de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos.

O custo por quilometro rodado também é um atrativo, pois eletricidade é bem mais barata do que combustíveis além dos carros elétricos não precisarem de sistema de escape nem de trocas de óleo.

No lançamento do i3 no Brasil, a BMW divulgou que o custo por quilômetro rodado é quase 50% inferior as de seus modelos a combustão. E que ele seria 20% mais barato de manter e 15% mais barato para consertar, dada a simplicidade da sua mecânica.

CONTRAS

Apesar da evolução das baterias, que ficaram menores e mais potentes, a autonomia ainda é uma questão que pesa contra os elétricos. O Nissan Leaf declara 378 km, e o Chevrolet Bolt, 383 km. Ainda é pouco perto dos 613 km do Tesla X.

E esses números são obtidos em condições ideais. Cerca de 10% a 20% de rendimento são perdidos fora de condições ideais. O fato é que não dá para viajar entre São Paulo e Rio sem uma parada para recarga.

A discussão maior está na questão ambiental. É verdade que o carro não emite gases causadores do efeito estufa, mas a energia que vai movê-lo é produzida de forma sustentável?

A produção de energia elétrica ainda é uma grande geradora de poluentes no mundo. Na China, país que mais aposta nos veículos, 75% da energia vem da queima do carvão, ou seja, não ameniza tanto a poluição. Até a Califórnia, estado americano mais amigável aos elétricos, quase 60% da energia gerada vem da queima de combustíveis fósseis. O Brasil leva vantagem nesse ponto, pois a maior parte da nossa energia vem de hidrelétricas.

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