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O nudge “bom e barato” para ser usado nas cidades

Redação DuMoney 11 de outubro de 2018 atualizado às 20:05

Cidades estão descobrindo como usar a Economia Comportamental a seu favor e trazer benefícios para a população

 

Usar a Economia Comportamental pode ser bom e barato / Shutterstock

 

Usar a Economia e a Ciência Comportamental é uma prática comum  nas empresas do setor privado. Quem usa estratégias baseadas na teoria, garante que é possível oferecer uma melhor tomada de decisão entre os funcionários. O Google, por exemplo, dentro de seus escritórios, na Califórnia, já usou uma intervenção para promover iniciativas de alimentação saudável.

Ao reorganizar a geladeiras onde ficam as bebidas, passou a colocar as garrafas de água ao nível dos olhos, enquanto os refrigerantes passaram para a parte inferior. Resultado: o consumo de água aumentou em 47%; já o de refrigerantes diminuiu em 7%. E se funciona dentro do Google, por que não em uma cidade?

DISCUSSÃO GLOBAL

Municípios de todo o o mundo estão começando a aplicar o mesmo princípio para fazer intervenções governamentais de baixo custo no âmbito cívico. O tema foi discutido, por exemplo, na 15º Encontro de Inovação Municipal, realizado no primeiro semestre deste ano em Nova York. Por lá, encontraram-se os principais chefes de equipe e líderes de várias cidade do mundo  para discutir como a Ciência e a Economia Comportamental podem ser usadas como ferramenta para melhorar as políticas públicas.

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“A ciência comportamental promete resultados de grande escala a baixo custo – é o santo graal da inovação”, disse na ocasião Matthew Klein, diretor executivo do Center for Economic Opportunity”.

Entre as conclusões do encontro, ficou claro que falar de projeto de Economia Comportamental não significa em ter que gastar rios de dinheiro em tecnologia. Um das alternativas mais elogiadas foi de uma cidade – não mencionaram o nome – que fez apenas um ajuste fácil e barato que surtiu efeito imediatamente.

NUDGES ”BONS E BARATOS”

O caso ocorreu em município americano, com muito imigrantes, e por lá a prefeitura, que costumava mandar informes de cobrança de imposto apenas na língua inglesa, decidiu enviar as cartas no idiomas dos imigrantes. A alteração trouxe US $ 300 milhões em receita adicional aumentando o número de pessoas que pagaram seus impostos.

Outro ponto transformador foi a aproximação do governo municipal com os cidadãos. No encontro, foi citado iniciativas de cidades que criaram mecanismo em que o morador pode relatar algum problema, como um buraco no asfalto ou a poda de uma árvore, a uma central de atendimento. Só que não parou por aí.

O pulo do gato do sistema foi oferecer ao cidadão a chance de acompanhar a própria demanda e a de outras pessoas. Digitalmente, as cidades que implantaram dispunham de um mapa interativo em que era possível acompanhar os problemas enviados, além do cronograma de execução, caso o pedido fosse aprovado. Essas ações, garantem os prefeitos dessas cidades, provocaram um salto na satisfação dos moradores.

No Rio, por exemplo, o serviço telefônico 1746 permite que qualquer pessoa ligue e relate um problema. Mas a falta de retorno de seu pedido costuma desanimar quem já fez uso do serviço.

NUDGE NA EDUCAÇÃO

Já em São Paulo, uma medida aparentemente simples e de baixo custo teve impactos importantes. Uma mensagem de SMS passou a ser enviada para pais de crianças da rede estadual de ensino de São Paulo que vinham registrando alto índice de faltas, evasão e notas baixas.

Resultado: as notas de alunos que eram filhos do pais que receberam os SMS melhoraram. Já a taxa de reprovação entre esses estudantes caiu: 3%. De acordo com a secretaria Estadual de Ensino de São Paulo, a economia de recursos com a queda da repetência é estimada em R$ 12,4 para cada real investido.

DESCONFIANÇA SOBRE A ECONOMIA COMPORTAMENTAL

Alguns críticos desconfiam de governos que atuam como ”arquitetos de escolha”  e determinam que decisões o público deve tomar. No entanto, quando pensados ​​e transparentemente selecionados e projetados, os incentivos prometem melhorar vidas, mantendo a liberdade de escolha. A conversa na convenção do PMI sugere que, embora a ciência comportamental ofereça utilidade significativa ao governo a baixo custo, ainda há trabalho a ser feito e muito espaço para colaboração e replicação entre as cidades.

Em Inovação

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