fbpx

O dólar nos meses antes das eleições: é hora de vender ou comprar?

Redação DuMoney 17 de setembro de 2018 atualizado às 12:14

       

O cenário eleitoral indefinido já começa a alterar o comportamento do dólar nos meses antes das eleições. Desde 2002, a moeda americana não era tão afetada pelas urnas

 

Dólar rompeu a barreira dos R$ 4,00 após dois anos e meio  / Schutterstock

 

A incerteza no cenário pré-eleitoral não provoca alterações no preço do dólar. Pelo menos foi isso que ocorreu em três eleições (2014, 2010 e 2006). Mas, diferente dos três pleitos que também tiveram petistas como vencedores, a dúvida sobre o próximo presidente já levou o dólar para uns dos matares mais alto da história.

Até agora, o comportamento da moeda americana se assemelha ao processo eleitoral de 2002, ano que o ex-presidente Lula foi eleito pela primeira vez. Na época, o valor chegou subir US$ 0,70 em 30 dias, tamanha era a preocupação do mercado com a entrada do PT no poder.

LEIA MAIS: Como aproveitar a recuperação da Bolsa de Valores e investir em ações

Já em 2018, a instabilidade dos mercados, segundo os analistas, é provocada pela cenário indefinido há pouco mais de 40 dias das eleições: Lula, líder nas pesquisas, está preso; Jair Bolsonaro não conseguiu, até agora, passar segurança de suas ideias econômicas; e Geraldo Alckmin, preferido do mercado, não consegue deslanchar.

Todos esses fatores combinados, aliados ao desempenho fraco da economia e à guerra comercial entre China e Estados Unidos, também cooperam para que a moeda americana se valorize.

ALTA DE 24% FRENTE AO REAL EM 2018

Somente em 2018, a valorização acumulada atinge os 24% frente ao real. É um resultado expressivo, já que nos últimos 2 anos e meio (desde o dia 19 de fevereiro) que o a moeda americana não rompia a barreira dos R$ 4,00.

Para o pesquisador de Finanças Comportamentais, Samuel Barros, professor do Ibmec-RJ, uma parte da explicação para a valorização é que há cinco candidatos com chances de vencer a eleição em outubro.

“Como estamos num cenário de incertezas muito grande – levando em consideração que temos cinco candidatos viáveis com ideologias completamente diferentes -, é natural que exista uma fuga de capital para um ativo um pouco mais seguro. Então, a subida do dólar por conta de uma incerteza política era algo bastante esperado. Não tem novidade nessa história. Pelo menos para a gente que trabalha com o mercado”.

 

Abaixo, veja os gráficos que mostram o comportamento do dólar nos meses antes das eleições. Os valores correspondem a cotação da moeda no 1º dia últil de cada mês:

 

1º gráfico – Agosto – 2 meses antes das eleições

Neste primeiro gráfico, o destaque vai para as eleições de 2002 e 2018. A primeira, que teve Lula como vencedor, chama atenção para o fato de que a moeda ainda estava em um patamar controlado, sob o ponto de vista do mercado financeiro. Diferente deste ano, em que o início da corrida presidencial foi capaz de valorizar o dólar e aproximá-lo dos R$ 4.

 

2º gráfico – Setembro – 1 mês antes das eleições

Para quem esperava que a aproximação do pleito iria fazer o dólar aumentar, em 2002, a moeda retraiu. Já em 2018 ocorreu o oposto. Analistas já falam que a moeda americana pode ultrapassar até os R$ 4,50.

Nos outros processo eleitorais, vale dizer também que, em 2006 – Lula -, e em, 2014 – Dilma Rousseff-, os dois presidentes se reelegeram. E, em 2010, Dilma, concorria como a então candidata da situação, apoiada por Lula que, na época, tinha uma popularidade superior aso 80%. Esses fatores ajudaram o dólar a se manter em um patamar baixo.

 

 

3º gráfico – Outubro – mês da eleição

A poucos dias das eleições, a cotação do dólar é um indicativo sobre o que esperam as urnas. Como o gráfico mostra, quanto mais uma eleição está indefinida ou o candidato líder não tem a preferência do mercado, mais alto será a cotação da moeda americana.

 

 

 

 

Em Inovação

Recomendadas para você