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Muito além do Bitcoin: entenda o que é Blockchain

Redação DuMoney 3 de outubro de 2018 atualizado às 12:22

O que é blockchain? Entenda a tecnologia que surgiu como base para operação de criptomoedas e agora já ganhou vida própria em aplicações que vão de transparência pública a logística da cadeia de produção

corrente de metal com simbolo do dólar $

Especialistas estudam outras formas de usar blockchain / Shutterstock

 

Como o próprio nome já diz, blockchain é uma cadeia de blocos. E nele, cada bloco contem uma informação que pode ser distribuída e completamente aberta a qualquer um. No entanto, estes blocos possuem uma característica importante: uma vez que alguma informação foi adicionada a um bloco, é extremamente difícil de modificá-la.

Os blocos são compostos por 3 partes: um Hash (um número identificador único); os Dados (as informações que estão gravadas no bloco); e o Hash do bloco anterior, o que gera esse conceito de cadeia entre os blocos, o seguinte sempre revalida o anterior.

COMO SURGIU?

A ideia foi descrita pela primeira vez, em 1991, por um grupo de pesquisadores que desejavam registrar documentos digitais e que não fosse possível alterá-los, trocar a ordem ou manipulá-los.

Mas seu uso só ganhou popularidade a partida criação da moeda digital Bitcoin em 2009, criada por Satoshi Nakamoto (o nome é um pseudônimo, não se conhece sua verdadeira identidade) para garantir a independência e a segurança das transações usando o novo ativo virtual.

No Bitcoin, cada transação é digitalmente “assinada” com o objetivo de garantir a autenticidade e garantir que ninguém a adultere, de forma que o próprio registro seja considerado de alta integridade.

COMO FUNCIONA

Conforme dito anteriormente, a cadeia é uma estrutura formada por blocos.  E cada bloco tem a informação, seu hash e o hash referente ao bloco anterior. O hash é comparável a uma impressão digital e cada bloco tem uma diferente.

O que realmente torna o blockchain seguro, na verdade, é o fato de que não há uma central de controle. Ou seja, ninguém comanda as operações ou é dono da cadeia. É uma rede chamada Peer to Peer  (de pares para pares ou de pessoa para pessoa).

Cada um desses blocos contendo informações precisam ser validados por cada “nó”. Que, no caso, somos nós mesmo.

Os nós – ou nodes – da cadeia são as pessoas que estão inseridas da rede (os pares, ou peers). Cada pessoa nova que entra na rede, recebe uma cópia inteira da cadeia e passa a avaliar e validar cada novo bloco. Esse sistema em rede impede que alguém consiga manipular as informações.

TIPOS DE CADEIA

E existe mais de uma categoria de blockchain: as públicas, acessíveis a todos que queriam participar; permissionadas, que limita a rede a quem tem permissão de participar (como uma empresa, um banco ou uma instituição pública); e mistas, em que apenas pessoas autorizadas podem ver todo os dados enquanto o público vê apenas uma parte.

Outro exemplo de rede mista é um blockchain em que todos possam ver todos os dados, mas só alguns poucos autorizados podem adicionar dados novos.

Veja este vídeo do think tank Centre for International Governance Innovation (CIGI) 

 

APLICAÇÕES

No fim das contas, blockchain é usado para gravação de transações e rastreamento de ativos em uma rede de negócios. Um ativo pode ser tangível (uma casa, um carro, dinheiro, terras) ou intangível (propriedade intelectual, patentes, direitos autorais).

Praticamente, qualquer coisa de valor pode ser rastreada e negociada em uma rede blockchain, reduzindo riscos e custos para todos os envolvidos. Tendo isso em mente, é possível aplicar o uso dessa ferramenta em diversas áreas.

O aspecto financeiro é o mais comum, o blockchain migrou das criptomoedas e passou a ser implementado em bancos e outras instituições financeiras.

Existem sugestões e pesquisas no sentido de usar a tecnologia na transparência pública. Uma rede que contenha todos os gastos e informações públicas de um governo ou instituição e que seja acessível a todos os componentes da cadeia. Informações como quanto dinheiro de imposto foi arrecadado e o quanto foi aplicado em cada área (como Saúde, Educação, Segurança) ou a quantidade e que tipo de material foi comprado para escolas ou hospitais, ou quanto cada partido recebeu de dinheiro de campanha.

Essas informações já estão disponíveis ao público via Lei de Acesso a Informação, mas com blockchain teríamos a garantia de veracidade da informação e a confiança de que nunca seria alterada ou perdida.

Com essa ferramenta também é possível rastrear propriedade intelectual como obras de arte para garantir o pagamento de direitos autorais e coibir uso não autorizado de obras. O processo é trabalhoso com obras físicas, como quadros ou livros, que precisariam de algo como um “gêmeo digital“, conforme explicou Vanessa Almeida, líder da iniciativa de blockchain do BNDES:

“Essa dificuldade acontece mais na questão da tokenização do mundo físico. Mas facilita quando o item já existe num arquivo virtual como uma música ou fotografia por exemplo.”

Já existem iniciativas em vários países – inclusive no Brasil – que estudam o uso de blockchain para garantir o registro e armazenamento correto de dados de saúde. A rede serviria ao propósito de dar ao paciente total controle sobre seus dados e restringir acesso de quem pode e quem não pode acessar as informações e rastrear todos os acessos a esses dados. Isso tira o poder de intermediário das empresas e dos hospitais e traz para o cidadão.

Blockchain também já é usado no comércio online. Em vez de uma empresa fazer a mediação (Enjoei.com ou Mercado Livre), uma rede de blockchain autogerida pelos próprios usuários garante a transparência e segurança das transações. Os indivíduos negociam entre si diretamente garantidos pelos protocolos da rede.

Um uso de blockchain bastante estudado é em logística. Com a ferramenta, um produtor tem como rastrear todos os componentes usados para construir seu produto desde a fabricação até a venda. Em um seminário sobre o tema na primeira quinzena de setembro, Rafael Nasser, professor do departamento de Tecnologia de Informação da PUC-Rio disse que usar blockchain em logística é um meio de ter controle e valorizar a produção como um todo: “Esta é um forma a aumentar o valor agregado de um produto por poder certificar sua qualidade e sua origem ao rastrear toda a cadeia de produção do início ao fim”.

DESAFIOS

Como toda nova tecnologia, o blockchain ainda é visto com desconfiança por grande parte do público, pois sugere uma mudança cultural muito grande. Segundo Marcela Gonçalves, engenheira e pesquisadora de blockchain, as pessoas “comuns” ainda se assustam: “A primeira reação é de não entender como funciona a tecnologia, depois o que assusta é a quebra dos paradigmas. Lidar com essa ausência de poder central é culturalmente difícil”.

Então um dos maiores desafios é conquistar a confiança do público. Mas um outro obstáculo de igual importância é a quantidade de energia necessária para abastecer os computadores que mineram dados e processam as informações. Isso, somado aos custos de aplicação inicial, afasta muitas empresas e instituições do blockchain.

 

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