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Kahnemaneando: o que você vê nem sempre é a verdade

Redação DuMoney 8 de outubro de 2018 atualizado às 12:21

Porque tomamos decisões baseadas em informações insuficientes ou incoerentes? Kahneman diz que o que vemos nem sempre é verdade e que não podemos tirar conclusões precipitadas sobre nada

mulher olhando pela janela

Nossa mente tende a construir verdades com poucas informações / Shutterstock

 

Considere que vão contratar um funcionário novo na sua empresa. E te perguntam: “José será um bom profissional? Ele é inteligente e esforçado”. Sua resposta imediata é ‘sim’. Mas repare que você não sabe mais nada sobre José, nem se perguntou o que faz de alguém um bom profissional. Você apenas pegou duas informações a respeito de um desconhecido e formulou a história mais coerente.

O Nobel de economia, Daniel Kahneman, explica esse fenômeno em seu livro, Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar. Ele diz que nossa mente é preguiçosa e que sempre cortará caminhos para chegar a uma resposta mais rápido e mais fácil. Por isso tendemos pegar as poucas informações que temos e tomá-las como verdade.

O nome disso é WYSIATI, iniciais da frase em inglês, What You See Is All There Is, que significa, o que você vê é tudo o que há. Para ilustrar de forma mais concreta, é como se você olhasse por uma janela e acreditasse só o que lhe é visível existe de fato. Ou seja, resumir o mundo inteiro ao que você alcança com os olhos.

confiança que as pessoas sentem em um fato específico é determinada pela coerência da história que conseguem construir a partir da informação disponível. É a consistência da informação que importa para uma boa história, não sua completude ou veracidade. Na verdade, você muitas vezes vai descobrir que saber pouco torna mais fácil ajustar tudo que você sabe em um padrão coerente.

O efeito WYSIATI facilita a coerência e o conforto cognitivo que nos leva a aceitar uma afirmação como verdadeira. O fenômeno explica por que podemos pensar com rapidez e como somos capazes de extrair sentido de informações parciais em um mundo complexo. Na maior parte do tempo, a história coerente que montamos é próxima o suficiente da realidade para apoiar uma ação razoável.

Isso é o que alimenta alguns dos vieses cognitivos explicados por Kahneman no livro. 

1. Superconfiança

Uma vez explicada a regra WYSIATI, dá para entender que a confiança que os indivíduos depositam em suas crenças depende principalmente da qualidade da narrativa que podem contar acerca do que veem, mesmo se veem pouco. Muitas vezes deixamos de levar em conta a possibilidade de que evidências estejam faltando. Então tendemos a confiar completamente na historinha que nossa mente constrói para ordenar as informações que recebemos.

 

2.Efeitos de enquadramento 

Maneiras diferentes de apresentar a mesma informação frequentemente evocam diferentes emoções. Por exemplo, a afirmação de que “as chances de sobreviver um mês após a cirurgia são de 90%” é mais tranquilizadora do que “ a mortalidade no período de um mês após a cirurgia é de 10%”. A ideia descrita nas frases é a mesma, mas a forma como são apresentadas mudam nossa percepção.

 

3. Negligência com a taxa-base

Esse viés cognitivo é o que nos leva a imaginar que um homem engravatado andando pelo centro da cidade seja um executivo ou empresário ou supor que um rapaz com uma camiseta de super herói e cara de nerd seja estudante de informática ou alguma ciência. A taxa-base é como um estereótipo que nos guia para calcular probabilidades. O fato estatístico não vem à mente quando consideramos algumas questões e assim acontece a negligência com a taxa-base.

Conceito “Rápido e Devagar” de Kahneman: o lado racional ganha do intuitivo?

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