fbpx

Inovação no campo: o que há de novo e o cenário da Agricultura 4.0 no Brasil

Redação DuMoney 26 de setembro de 2018 atualizado às 17:15

Robôs no campo ainda não são uma realidade, mas já existe muita tecnologia nas fazendas no mundo. Como o Brasil vai entrar na era das fazendas inteligentes?

 

Pesquisador acredita em tecnologias para dobrar a produção de alimentos no mundo / Schutterstock

 

Quando pensa em tecnologia, não é fácil supor que foi no campo, longe das cidades, onde ocorreu boa parte dos processos inovadores que mudaram o curso da história. Pare e pense: desde a invenção de enxadas, foices e arados até a introdução de tratores, a inovação sempre esteve no coração da agricultura.

E hoje não é diferente. Uma nova geração de jovens agricultores com experiência em tecnologia e com fome de dados reinventou uma agricultura que já era conectada, dando origem à Agricultura 4.0, como tem sido chamada. Graças ao potencial das tecnologias de robótica e sensoriamento do século XXI, já é possível resolver problemas tão antigos quanto a própria agricultura.

Veja o exemplo das estufas dedicadas à produção de frutas e vegetais em que engenheiros estão explorando a automação como uma forma de reduzir custos e aumentar a qualidade. Há também teste com dispositivos para monitorar o crescimento de vegetais, bem como catadores robóticos.

Para os criadores de gado, as tecnologias de sensoriamento podem ajudar a gerenciar a saúde e o bem-estar de seus animais. E o trabalho está em andamento para melhorar o monitoramento e a manutenção da qualidade do solo e para eliminar pragas e doenças sem recorrer ao uso indiscriminado de agrotóxicos.

LEIA MAIS: A estratégia do Facebook de obter acesso aos dados da nossa conta bancária

Embora algumas dessas tecnologias já estejam disponíveis, a maioria está em fase de pesquisa em laboratórios. Junto com empresários do setor, muitos pesquisadores fazem parte de um crescente corpo de cientistas com planos para revolucionar a prática agrícola. Se eles tiverem sucesso, mudarão a maneira como produzimos comida para sempre e, segundo analistas do mercado, podem até usar a tecnologia para dobrar a produção de alimentos.

HUMANO É MELHOR DO QUE O ROBÔ (POR ENQUANTO)

A Holanda é famosa pela eficiência de suas estufas produtoras de frutas e vegetais, mas essas operações dependem das pessoas para colher os produtos. Mas, segundo pesquisadores, há muito esforço científico para que no futuro haja a colheita automática. Por enquanto, o estudos estão focados em ensinar a máquina a saber quanto uma fruta está madura ou não por meio de uma câmera colorida. O problema é que a cor não é o único aspecto que determina a maturação de um alimento. Por isso, estão sendo estudados outros caminhos para que um robô consiga fazer o trabalho que, hoje, é de um humano.

LEIA MAIS: Arquitetura de Escolha: o ‘drible’ do empreendedor para vender mais 

Pelo menos na Inglaterra, engenheiros agrônomos desenvolveram uma colheitadeira de morangos que pode colher a fruta mais rápido que os humanos. O equipamento ainda é um protótipo, mas é mais um exemplo que mostra para onde a indústria está se movendo. O aparelhos desenvolvido se baseia na visão estereoscópica de câmeras para capturar a profundidade, mas são seus poderosos algoritmos que permitem que ele escolha um morango a cada dois segundos – o dobro da capacidade humana.

DETECÇÃO DE PRAGAS VIA DRONES (EXISTE)

Pesquisa da ONU para Alimentação e Agricultura estima que entre 20% e 40% do rendimento global das colheitas são perdidos todos os anos para pragas e doenças, apesar da aplicação de cerca de dois milhões de toneladas de pesticidas. Por isso, outra frente de estudo na área são os dispositivos inteligentes, como robôs e drones, que poderiam permitir que os agricultores reduzissem o uso dos agrotóxico ao detectar “inimigos” de colheitas mais cedo. Sendo assim, o cenário previsto é de drones, montados com câmera, decolarão todas as manhãs antes de o agricultor se levantar e identificar onde há uma praga ou um problema.

No estado americano do Colorado, uma empresa de análise de dados agrícolas, por exemplo, fornece drones e software que usam imagens de infravermelho para mapear manchas de vegetação insalubre em grandes campos. As imagens também podem revelar possíveis causas, como pragas ou problemas com irrigação. A empresa processa dados de drones de campos de cultivo em mais de 50 países. E, agora, está usando o aprendizado de máquina para treinar seus sistemas para diferenciar culturas e ervas daninhas, e espera ter essa capacidade pronta para a estação de crescimento de 2017.

COLARES INTELIGENTE PARA MONITORAMENTO ANIMAL (EXISTE)

Os colares inteligentes têm sido usados ​​para monitorar vacas na Escócia desde 2010. Desenvolvido por empresas como Silent Herdsman, de Glasgow, na Escócia, o colar monitora a fertilidade rastreando a atividade – vacas se movem mais quando estão férteis – e usam isso para alertar os agricultores sobre quando uma vaca está pronta para acasalar, enviando uma mensagem para seu laptop ou smartphone.

Já alguns tipos de câmeras estão melhorando a detecção de ameaças à saúde das vacas. A condição inflamatória da mastite – muitas vezes o resultado de uma infecção bacteriana – é um dos maiores custos para a indústria de laticínios, causando declínios na produção de leite ou até mesmo a morte. Câmeras de imagem térmica instaladas em galpões de vacas podem detectar úberes quentes e inflamados, permitindo que os animais sejam tratados precocemente

ENTREVISTA: Tainan Lamas, especialista em inovação do Grupo Innobuilders. 

Qual é o panorama da Agricultura 4.0?

R: O potencial é enorme. Já temos exemplos de fazendas utilizando, por exemplo, a Internet das Coisas (rede de objetos físicos que possuem tecnologia capaz de coletar e transmitir dados) e Learning Machine (aprendizado automático de uma máquina). Aqui no Brasil, empresas como a Basf e Bayern já viram esse potencial e estão investindo muito.

Poderia dar algum exemplo de tecnologia?

R: Há produtores que possuem sensores em suas fazendas com capacidade para identificar o nível da umidade do ar e, com isso, tomar decisões como aumentar ou diminuir a irrigação do plantio. Isso é Internet da Coisas e Machine Learning ao mesmo tempo pois é tudo automático e o sistema aprende padrões e vai se aperfeiçoando.

Qual é o impacto direto disso?

R: Para o agricultor, por exemplo, é um tempo que ele tem a mais para se debruçar sobre outras atividades. É também a chance dele ter respostas mais rápidas para contornar problemas e gerar mais lucros.

O que precisa melhorar?

Em determinados pontos, ter uma conexão rápida de Internet e sinal de celular no campo ainda é um problema. E isso é um problema urgente. Não adianta ter todo o sistema pronto para operar se não tiver o básico.

A agricultura é o carro-chefe do PIB há alguns anos. Mesmo assim, existe uma desconfiança para investir no setor?

R: Existe sim. Principalmente no setor de startups, não é tradição investir em empresas que estão desenvolvendo produtos tecnológicos para atender demandas de fazendeiros e produtores. E isso é um erro.

Como assim?

R: O agronegócio equivale a 25% do PIB e recebe pouco investimento de venture capital e private equity. Já imaginou se o setor recebesse investimento para o desenvolvimento de startups. Certamente, a capacidade de crescimento das empresas seria maior ainda e todo o mercado se beneficiaria disso.

Qual a solução?

R: Estão sendo estudadas algumas oportunidades. Neste segundo semestre, talvez, haja novidade na área de inovação. A ideia é abrir oportunidade para o crescimento de jovens empresas interessadas em soluções para o agronegócio.

 

 

Em Inovação

Recomendadas para você