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Fintechs atendem público desprezado pelos bancos

Ainda se discute se as startups financeiras vão acabar com os bancos ou se são apenas uma moda passageira, mas já há uma certeza: as fintechs provocaram uma reação dos grandes bancos

Redação DuMoney 21 de janeiro de 2019 atualizado às 12:34

Fintechs investem na especialização frente a generalização dos bancos / Shutterstock

 

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou há cerca de uma ano a regulamentação da atividade das fintechs. A mudança? As empresas de tecnologia financeira passaram a manter contas de pagamentos para seus clientes e utilizar recursos próprios para concessão de empréstimos. Até então, fintechs só podiam fazer operações com dinheiro de instituições financeiras as quais eram vinculadas.

 

A medida apostava na expansão das fintechs como uma forma de aumentar a competição na oferta de crédito e, consequentemente, reduzir os juros cobrados.

 

No Brasil, os quatro maiores bancos detém 78% dos empréstimos concedidos. E o peso das fintechs no mercado de crédito ainda é baixo. De acordo com o Banco Central, elas têm apenas 0,3% de participação no mercado de crédito brasileiro.

 

Apesar da baixa parcela de empréstimos concedidos, as fintechs vêm ganhando a preferência dos brasileiros. Por serem digitais, têm pouquíssimos custos. Logo, as taxas cobradas dos clientes são bem mais baixas.

 

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Um outro diferencial oferecido pelas startups é justamente a especialização. Segundo Gabriel Kallas, sócio-fundador da Toro Investimentos – fintech especializadas em aplicações financeiras – isso faz com que exista uma concorrência saudável no mercado o que, para ele, é sempre bom para o cliente.

 

“Sempre teremos empresas com um portfólio mais abrangente e generalista, enquanto também teremos empresas que vão, através do foco em uma área específica, trazer uma experiência muito melhor. Investimentos, por exemplo, é uma área em que essa especialização pode trazer um grande diferencial de experiência e rentabilidade para o cliente. Hoje, fica cada vez mais fácil ter mais de uma empresa prestando um serviço pra você”, afirma Kallas.

 

OS BANCOS SE MOVIMENTAM

 

Percebendo esse movimento do mercado e do público, os bancos estão buscando a atualização de seus serviços. Porém, mudar a cultura de instituições gigantes é caro e demorado, então muitos têm preferido firmar parcerias com as novatas do mercado.

 

Um relatório da PwC mostra que 45% das instituições financeiras tradicionais já possuem acordos com empresas de tecnologia financeira; 82% dos bancos esperam que essas parcerias aumentem nos próximos três a cinco anos.

 

Bruno Diniz, diretor do comitê de fintechs da ABStartups, diz que algumas dessas empresas dependem da colaboração de bancos como o aplicativo GuiaBolso, que funciona como um planejador financeiro. Ele precisa de acesso aos dados bancários dos clientes que o contratam para consolidar as informações em sua plataforma e propiciar uma melhor experiência de usuário. E se não houver parceria com os bancos, a plataforma não funciona.

 

Diniz afirma também que o maior desafio das fintechs no Brasil já está sendo superado: a confiança.

 

“As pessoas já estão olhando para as empresas de tecnologia com menos desconfiança, já estão vendo credibilidade no trabalho delas. Outro desafio é a criação de um ambiente regulatório que torne a competição mais justa, tendo em vista a desproporcionalidade entre fintechs e bancos”, explica.

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