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Como distribuir o orçamento da Inovação dentro da sua empresa

Redação DuMoney 22 de agosto de 2018 atualizado às 15:09

Há duas formas de investir na área de inovação dentro da empresa. A primeira delas é através do que os especialistas chamam de Capacidade de Inovação. A outra é a Habilidade de Inovação. Entenda e aplique na sua companhia

 

mulher olha painel digital em 3D numa sala futurística

Uma empresa pode inovar adotando práticas e otimizando processos corporativos / Schutterstock

 

Inovação é um tema difícil para as empresas – na tentativa de criar algo disruptivo, muitos projetos acabam não dando em nada. Ainda que as corporações e governos mundo afora tenham colocado o tema na agenda, ainda é pequeno o grupo de empresas que podem bater no peito e afirmar que os resultados obtidos a partir de inovações justificam o dinheiro investido. Mas existe uma maneira de alocar de forma mais assertiva os recursos de incentivo à inovação?

Boa notícia: existe sim. Projetos no setor geralmente fracassam porque o dinheiro gasto foi alocado da forma incorreta. Essa conclusão é dos especialistas em Inovação, Peder Furseth e Richard Cuthbertson que fizeram um diagnóstico sobre o tema após estudarem cases de empresas de tecnologia como Nokia, Kodak, Borders, Amazon, Apple, e Xerox.

Segundo a análise, as três primeiras empresas, nos últimos anos, investiram muito em inovação, mas foram Amazon, Apple e a Xerox que, mesmo gastando menos, lideraram o tema, adotando práticas e otimizando processos corporativos – o que permitiu que elas lançassem produtos mais inovadores.

CAPACIDADE DE INOVAÇÃO É DIFERENTE DE HABILIDADE DE INOVAÇÃO

Segundo os especialistas, há duas formas de investir na área. A primeira delas é através da Capacidade de Inovação. Neste sentido, todo investimento que torna possível “comprar coisas” como novos ativos, funcionários ou salas, aumenta a força da empresa em inovar.

Mas capacidade, sozinha, é insuficiente. Sem falar que novas aquisições geram custos fixos que podem provocar estouro no orçamento. Além disso, grandes equipes acabam provocando a criação de projetos muito longos que não necessariamente estão com o foco certo.

LEIA MAIS: Por que a Apple pode parar de crescer ao atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado

É aí que entra a Habilidade de Inovação. É, de acordo com Furseth e Cuthberston, a parte difícil da estratégia, mas onde o dinheiro deve ser investido. E o que é isso? São as equipe (novas ou que podem ser formadas internamente) que pensam em resolver pequenos problemas como melhorar o modelo de negócio, o design de um produto ou serviço. Esse tipo de estratégia pode ser feito com poucas pessoas e traz resultados importantes. Traduzindo: é onde a empresa deve priorizar o orçamento da inovação.

CASO NOKIA: UMA EMPRESA QUE NÃO SOUBE INOVAR DA MANEIRA CORRETA

O celular que conhecemos hoje como smartphone foi criado pela Nokia, e não pela Apple, como muitos pensam. Dois anos antes da empresa de Steve Jobs apresentar o primeiro Iphone, a Nokia já disponibilizava um celular com touchscreen e outras funcionalidades que nenhum aparelho tinha até então.

Só que ao atingir uma posição de destaque, a empresa não percebeu qual caminho deveria seguir para se consolidar como uma companhia inovadora. Pior: escolheu o caminho errado e persistiu no erro. Como uma capacidade de produção alta, a Nokia tentou ganhar espaço no mercado apresentando uma variedade inacreditável de aparelhos. Em um dado momento, chegou a ter mais de 90 celulares novos disponibilizados para o consumidor. Enquanto isso, o sistema operacional dos aparelhos, o Simbya, era visto por especialistas em inovação como “limitado”.

Ao invés da Nokia buscar um novo sistema para seus aparelho, a empresa se manteve na expansão do portfólio. Até que a Apple entrou no mercado com apenas um celular. Para o azar da Nokia, era “O Celular”. O mais incrível é o primeiro Iphone tinha funcionalidades parecidas com as dos aparelhos da Nokia – com, claro, um design mais bonito, à altura da exigência de Jobs -, só que entregava uma experiência única de usabilidade, graças também ao software, o iOS.

O sistema operacional foi um dos pontos que possibilitou que a empresa tivesse um novo tipo de modelo de negócio, alterando a forma como as pessoas passaram a usar o celular, comprando aplicativos, baixando programas – tal qual um computador. Ou seja, teve visão inovadora, entendendo que poderia mudar o hábito das pessoas.

Uma das mudanças mais disruptivas para o negócio da Apple foi a criação da loja virtual, a App Store, que permitia que desenvolvedores criassem jogos, por exemplo, feitos para seus celulares, cobrando uma taxa de 30% sobre a venda. O número de aplicativos multiplicou-se no mercado, ajudando a empresa a ganhar relevância com os consumidores e criando uma nova janela de receita para a corporação.

Já a Nokia, em 2009, dois anos depois do primeiro Iphone chegar ao mercado, lançou a Ovi Store, uma cópia mal acabada do que era a App Store na época. A iniciativa nunca decolou, obrigando a companha a encerrar o projeto em 2015.

Conforme especialistas do mercado sempre reforçam, inovar, muitas vezes, não é criar algo novo. Pode ser simplesmente aperfeiçoar algo que já existe no mercado, proporcionando uma experiência melhor para os consumidores. A Apple é um dos expoentes máximo desse pensamento e serve como exemplo para qualquer empresa que queira seguir o caminho da inovação.

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