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As startups que incomodam os taxistas agora competem com bicicletas

Redação DuMoney 26 de julho de 2018 atualizado às 12:45

Em várias cidades do mundo, negócios que oferecem mobilidade urbana sob demanda são as que crescem mais rapidamente

Empresas estão investindo pesado no conceito de bike sharing, ou bicicletas compartilhadas / Shutterstock

 

O transporte urbano é um dos setores mais impactados pelo ritmo crescente de inovações trazidas por startups de tecnologia, que oferecem uma variedade de categorias de mobilidade sob demanda (on-demand). As mais conhecidas no Brasil são: Uber, 99, Cabify, Easy e Lyft.  Mas agora essas empresas estão investindo pesado no conceito de bike sharing, ou bicicletas compartilhadas.

Seja pelo estilo de vida mais saudável, pela preocupação com o meio ambiente ou apenas para driblar o trânsito, bicicletas estão invadindo as ruas de várias cidades do mundo, assim como patinetes e scooters elétricas. De acordo com o The Wall Street Journal, são as startups que crescem mais rapidamente na história, confirmando o mercado de mobilidade urbana como o mais inflamado do Vale do Silício.

QUEDA NA DEMANDA DE PASSAGEIROS NO TRANSPORTE PÚBLICO

Em 2016 e 2017, todo tipo de transporte público de massa tornou-se menos requisitado nos Estados Unidos: ônibus, metrô, trens e bondes. De acordo com a publicação americana The Economist, os nova-iorquinos realizaram 2,8% menos viagens por transporte público nos dias úteis e 4,2% menos viagens nos fins de semana, nos 12 meses até abril de 2018, em relação ao ano anterior. Em Chicago e Washington, a queda nas viagens por transporte público tem sido ainda mais acentuada.

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No Rio de Janeiro, as laranjinhas do Itaú foram as pioneiras no compartilhamento de bicicletas. E foram a salvação de muitas pessoas quando o país sofreu com a falta de gasolina durante a greve dos caminhoneiros em maio. Seguindo a onda, Uber e Lyft – que anunciaram recentemente a entrada no ramo de bikes – ingressam num mercado já conhecido pela chinesa Didi, dona da 99, que controla o maior negócio de aluguel de bicicletas da China, a Offo. Por lá, as bicicletas são liberadas com um QR Code e não precisam de uma estação, podendo ser deixadas em qualquer lugar.

No Brasil, vem se destacando a Yellow, criada pelos fundadores da 99, Ariel Lambrecht e Renato Freitas, junto com Eduardo Musa, ex-presidente da fabricante de bicicletas Caloi. A startup desenvolveu sua própria bicicleta como forma de evitar roubos: além de não ter marcha e seus pneus não servirem em outros modelos de bicicleta, ela terá um GPS embutido, o que permitirá o monitoramento em tempo real. O modelo também dispensa as estações de parada.

VIAGENS DE BICICLETAS E ÔNIBUS MAIS RÁPIDAS QUE CARRO

Segundo Musa, o projeto piloto será lançado em agosto com a distribuição de 20 mil bicicletas pelas ruas de São Paulo, para depois avançar para outras cidades brasileiras. Outras companhias, como a Bike Sampa, que opera em parceria com o Itaú, a Serttel e a Mobike também disputam esse mercado.

“Em São Paulo, testes mostraram que viagens integradas de bicicletas e ônibus foram 22% mais rápidas que carro. Além disso, o transporte público raramente conecta as pessoas da porta de suas casas até o seu destino. Nossas pesquisas mostram que em média, um usuário de transporte público precisa caminhar 800 metros para completar seu trajeto diário. Existe uma demanda latente por soluções de mobilidade na cidade e a nossa chegada no mercado traz justamente isso”, destaca Musa.

Freitas acrescenta que a tecnologia somada à cultura do compartilhamento apresenta uma saída importante para o impasse da mobilidade urbana:

“Um levantamento feito pela SPC Brasil e CNDL mostrou que para 79% dos brasileiros, o compartilhamento de bens torna a vida mais fácil e funcional e 68% se imaginam participando do consumo colaborativo nos próximos dois anos. Sabemos que estamos no caminho certo e nossa expectativa em relação à receptividade da população é bem positiva”.

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PRÓXIMA TENDÊNCIA: PATINETES ELÉTRICOS

Em grandes cidades da China, da Europa e dos Estados Unidos o mercado da mobilidade urbana é concorrido também por patinetes e scooters elétricas. Duas startups, a Bird Rides e a Lime, alcançaram valor de mercado de US$1 bilhão pouco mais de um ano depois de serem criadas. Somente nas últimas semanas, receberam juntas mais de US$ 400 milhões de valor de mercado, de acordo com o The Wall Street Journal.

São as startups que mais rapidamente chegaram à marca de US$ 1 bilhão na história, confirmando o mercado de mobilidade urbana como o mais inflamado do Vale do Silício. De bicicleta, de carro ou de scooter, a disputa bilionária entre os aplicativos de transporte ainda vai longe.

 

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