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Por que um escritório aberto pode ser ruim para o seu negócio

Redação DuMoney 6 de agosto de 2018 atualizado às 11:48

O modelo de escritório aberto, tendência no Vale do Silício, está se provando contraditório. Contudo, não é necessário voltar com as baias – existe uma solução pelo meio termo

 

escritório aberto

Escritórios abertos não aumentam a produtividade, segundo estudo / Schutterstock

 

O modelo de “escritório aberto” foi criado com a intenção de incentivar a interação dos funcionários e levá-los a conversar e discutir ideias espontaneamente. Mas estudos mostram que o tiro saiu pela culatra.

Essa conclusão ganhou luz após um estudo de dois pesquisadores que acompanharam os funcionários de duas empresas. O trabalho ocorreu durante três semanas antes e três semanas depois de haver a reforma nos escritórios no formato tradicional, com baias separando os setores, para o novo, aberto e sem divisórias físicas.

RESULTADO SURPREENDENTE

Para surpresa dos pesquisadores, segundo o estudo, a produtividade dos trabalhadores no novo ambiente caiu. E o nível de interação presencial despencou 72%, enquanto a comunicação via email aumentou 56%. Com esses dois indicadores chegou-se à conclusão de que escritórios abertos não aumentam a produtividade e a interação presencial. No caso da socialização dos funcionários, a conversa mudou do ambiente físico para o virtual.

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Tentando entender o porque desse fenômeno, os pesquisadores observaram que, motivados pela falta de privacidade e o sentimento de que estavam sendo observados, os funcionários se isolavam com fones de ouvido e se esforçaram por parecer ocupados. Influenciados pela imagem de concentração, os colegas não se interrompiam – por acharem que o outro estava atarefado – e preferiam mandar e-mails. Os funcionários também reclamaram do barulho e da facilidade de se desconcentrar.

DEVEMOS BUSCAR O EQUILÍBRIO

Considerando que cerca de 70% dos escritórios dos EUA já adotaram o novo modelo, segundo estimativas do mercado, é improvável que o escritório aberto deixe de existir. O que está acontecendo é uma busca por equilíbrio – o famoso meio termo. Ou seja, nem tão aberto nem tão fechado.

Por esse motivo, empresas estão começando a adotar salas fechadas em que o funcionário pode permanecer por algum tempo enquanto precisa se concentrar em uma atividade específica. Existem planos de escritórios divididos em diversos ambientes designados para tarefas específicas.

Salas individuais para um trabalho de concentração absoluta. Salas de reuniões. espaços de trabalho abertos. Salas para equipes trabalharem juntas. Tudo isso se coloca entre o escritório aberto e o totalmente compartimentalizado.

MUDAR É NECESSÁRIO

De acordo coach  Luiz Affonso Romano, a mudança no ambiente de trabalho é necessária. Ele lembra que, quando estava começando sua empresa, no século passado, tinha um espaço de 40m² só para guardar arquivos.

“Hoje em dia isso tudo cabe em um pendrive. As empresas se adaptaram à mudança tecnológica e agora devem se preparar para adaptarem-se a mudança comportamental. Quem não despertar o espírito criativo e inovador do funcionário, vai perder talentos’’.

Já a pesquisadora Silvia Belleza alerta para os perigos de se “socializar demais” no espaço de trabalho. Segundo ela, as pessoas passam a ter níveis mais altos de satisfação social no trabalho do que com suas famílias.

“Pais e cônjuges podem trocar voluntariamente a devoção de tempo e energia dos grupos familiares para grupos de trabalho, por que o ambiente de trabalho está se tornando mais social e interativo’’.

Ou seja, o desafio é como alcançar o equilíbrio perfeito que possa aumentar a produtividade sem afetar o bem estar dos funcionários. Nem tão aberto, nem tão fechado. O modelo de escritório do futuro ainda está sendo construído.

Em Empreendedorismo

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