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O saldo da paralisação dos caminhoneiros para os varejistas

Redação DuMoney 25 de julho de 2018 atualizado às 11:58

Varejo brasileiro teve perda bilionária. Especialista afirma que prejuízo da paralisação dos caminhoneiros vai além dos produtos encalhados
o saldo da paralisação dos caminhoneiros

Único setor que registrou aumento das vendas durante a greve foi o de supermercados / Schuttersotck

 

Redação DuMoney

A conta da paralisação dos caminhoneiros para o varejo chegou. E, diga-se de passagem, é amarga, com reflexos generalizados e de longo prazo. Segundo a Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada nos últimos dias pelo IBGE, o prejuízo alcançou os R$ 7,4 bilhões em receita bruta.

Esse é o valor total que deixou de circular no varejo durante os 11 dias de greve, segundo o levantamento. Comparando com o mês de abril, as vendas no varejo encolheram 0,6%. No varejo ampliado, que inclui as atividades de veículos e material de construção, a queda foi ainda maior: 4,9% – o pior resultado da série histórica, iniciada em 2004.

O único setor que registrou aumento das vendas durante o período de greve foi o de supermercados, que cresceu 0,6%. Embora o setor tenha sentido o desabastecimento de alimentos in natura, os estoques de não perecíveis foram preservados, o que ajudou a equilibrar a balança positiva.

”MAIOR IMPACTO É NA QUESTÃO DA CONFIANÇA”

Segundo o doutor em Economia, Rodolfo Nicolay, o principal problema do que aconteceu não é que os produtos não foram vendidos, mas que a confiança dos empreendedores e investidores pode ter sido abalada.

”A quantia de R$ 7 bilhões assusta, mas, de alguma forma, produtos que seriam comprados naqueles mês, podem ter sido adquiridos nos meses seguintes, quando a situação voltou ao normal. Claro que há sempre um impacto em algo que seja perecível. Mas, para mim, o maior impacto é na questão da confiança dos empreendedores e investidores que ficam inseguros quanto ao futuro do país”, afirma o economista Nicolay, que é também é professor da Universidade Católica de Petrópolis (UCP) e da Universidade Cândido Mendes (UCAM).

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O economista também lembra que a greve dos caminhoneiros trouxe outro reflexo negativo: a concentração de mercado. Segundo ele, como a paralisação provoca quedas nas vendas, pequenas empresas são mais vulneráveis aos meses com baixo faturamento.

”O grande varejista sofre, mas como a rentabilidade é maior, ele consegue repor as perdas e gerir o negócio em momentos de crise. Já para o dono de uma microempresa, um mês no vermelho, pode provocar um abalo nas contas que em pouco tempo pode obrigá-lo a fechar. Efeitos assim, agem diretamente na concentração de mercado, permitindo que apenas os grandes sobrevivam.

PRÉVIA DO PIB: MAIOR QUEDA DESDE O INÍCIO DO INDICADOR

Os impactos da greve dos caminhoneiros ficaram ainda mais evidentes com a divulgação da prévia do PIB, levando em consideração os dados relativos a maio. Segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), houve um recuo de 3,34% em relação a abril. A queda é a maior registrada desde o início do indicador, em 2003, superando a de dezembro de 2008, de 3,19%, no auge da crise financeira internacional.

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