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O que faz uma empresa ser boa para mulheres trabalharem

Redação DuMoney 2 de janeiro de 2019 atualizado às 12:22

Uma empresa boa para mulheres trabalharem precisa ser analisada por quatro fatores. E ter mulheres em cargos de liderança não é um deles

grupo de mulheres em reunião

Quatro fatores são determinantes para indicar se uma empresa é boa para mulheres trabalharem / Shutterstock

 

Hoje em dia, várias empresas medem o índice de satisfação dos funcionários. São usados diversos métodos para se avaliar o quão felizes e bem tratados são os trabalhadores, até porque já foi provado que trabalhadores felizes tem uma produtividade maior.

Este ano, as empresas com os funcionários mais felizes estavam distribuídas em setores, como tecnologia, transporte e finanças. As classificações foram baseadas no sentimento dos funcionários sobre as metas e o ambiente de trabalho da empresa. Mas é preciso ficar atento: isso não significa que todas as empresas da lista sejam um ótimo lugar para as mulheres trabalharem.

O top 3 da lista dos funcionários mais felizes foi HubSpot (1o), Netflix  (2o) e Google (3o). É importante lembrar que, apesar de ter conseguido o 3º lugar, o Google, foi alvo de manifestos de 20 mil funcionários, que protestaram contra a empresa, após a companhia encobrir um caso de má conduta de sexual de um funcionário. A empresa admitiu o erro, e ainda implementou algumas políticas internas para dar mais seguranças as mulheres que se sentirem desconfortáveis em casos de assédio.

O QUE FAZ AS EMPRESAS MELHORES PARA AS MULHERES

Tendo em vista essa lista, a Iniciativa de Impacto Social da Universidade Wharton divulgou um relatório que detalha descobertas específicas de centenas de estudos acadêmicos sobre mulheres e trabalhos que revelam o que torna certas empresas melhores para as mulheres trabalharem do que outras.

O relatório identifica quatro resultados que são os pontos mais críticos para as mulheres: representação, remuneração, saúde e satisfação.

Em representação, o Google foi altamente classificado por ter um grande número de mulheres em todos os níveis e unidades da organização (equivalente à porcentagem de mulheres economicamente ativas nos EUA, na época). Em questão de remuneração, a pesquisa observou a existência e o tamanho da disparidade salarial entre homens e mulheres na mesma função.

A saúde e a satisfação foram avaliadas em todos os setores para mulheres e homens. Saúde englobou benefícios como licença parental remunerada, proteção contra ferimentos e morte, estresse e, principalmente, assédio. Em termos de satisfação, as classificações de funcionários de sua satisfação geral no trabalho foram usadas para determinar se a organização era ou não um bom lugar para trabalhar independente de ser homem ou mulher. O que também serviu para medir a disparidade (se existisse) das respostas de homens e mulheres que trabalhavam na mesma empresa acerca da satisfação.

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TER MULHERES NA LIDERANÇA NÃO É GARANTIA

Uma das revelações mais surpreendentes é que as empresas que têm mulheres no conselho ou na diretoria executiva não significam necessariamente que são bons lugares para as mulheres trabalharem. Alguns estudos não encontraram nenhuma correlação entre mulheres na liderança e com a promoção de mulheres.

Heather Combs, chefe de receita da 3Pillar Global – uma empresa de desenvolvimento de software – disse à revista Fast Company, que sua equipe de liderança é 50% de mulheres, mas isso por si só não garante o status da empresa como um ótimo lugar para se trabalhar.

O ponto é: não se pode olhar para apenas um dos quatro fatores isoladamente. Ninguém gostaria de trabalhar em uma empresa em que existem mulheres em todos os níveis e cargos, mas essas mulheres ainda são mal remuneradas, assediadas e insatisfeitas. Segundo Combs, é importante se sentir valorizado no trabalho, independentemente de gênero, raça ou qualquer outro fator.

COMO SABER ANTES DE ACEITAR O EMPREGO

Em entrevista á Fast Company, Katherine Klein, professora de administração da Wharton School da Universidade da Pensilvânia e vice-reitora da Wharton Social Impact Initiative, afirma que é  difícil saber se uma empresa apoia suas funcionárias quando se está procurando emprego. Por isso é interessante pesquisar se a empresa publica estatísticas em vez de declarações ou promessas vagas.

Se não for o caso, faça perguntas específicas sobre representação para descobrir, por exemplo, quantas mulheres trabalham na empresa, em que níveis e funções, e qual é a diferença salarial média entre mulheres e homens.

Klein sugere algumas perguntas que podem ser feitas no momento da entrevista. 

  • Eu vejo que existem alguns programas de apoio ás mulheres na empresa. Quais métricas vocês acompanham para saberem se são eficazes? Esses dados são compartilhados?
  • Vi que um número crescente de empresas está optando por divulgar publicamente sua composição de gênero e diferenças salariais entre homens e mulheres. Esta informação está disponível aqui?
  • O nível de satisfação no trabalho dos funcionários é medido aqui? Existem  informações sobre como a satisfação no trabalho nesta empresa se compara às normas industriais e nacionais?

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