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O mercado bilionário de passagem de ônibus online à espera de viajantes

Redação DuMoney 9 de janeiro de 2019 atualizado às 16:54

Vender passagens de ônibus nunca foi tão fácil na era da Internet. Mesmo assim, menos da metade das vendas são offline, o que com que empresas disputem o mercado bilionário de transporte rodoviário

visão frontal de dois ônibus estacionados

Apenas 7% das vendas de passagens de ônibus são feitas online / Shutterstock

 

As soluções de mobilidade urbana estão se multiplicando em todos os lugares. De aplicativos de carona a patinetes elétricos, cada vez mais startups surgem para competir pela mobilidade urbana, mas um segmento ficou de fora da agitação: o de viagens de ônibus, que ainda tem uma participação muito pequena na internet.

Anualmente, são vendidos cerca de 160 milhões de tíquetes de ônibus de mais de 190 viações. O mercado rodoviário movimenta aproximadamente R$ 15 bilhões anualmente, mas apenas 7% desse total é resultado de vendas pela internet. A maioria dos passageiros ainda vai até a rodoviária comprar a passagem.

Algumas startups começaram a se movimentar para preencher o vazio ao perceber esse gap no mercado. A Clickbus é um dos maiores sites de venda de passagens rodoviárias pela internet e se tornou até mais do que isso.

A empresa busca mudar o cenário analógico das vendas e auxilia as viações a ingressarem no mundo digital, mas também passou a trabalhar em parceria com viações ao desenvolver sites, campanhas de marketing online e até oferecer gerenciamento de dados de mercado e relatórios de consumo e de operações.

A ClickBus foi fundada em 2013 por Cesário Martins e Fernando Almeida Prado. Pelo aplicativo ou pelo site – que tem cerca de 6 milhões de acessos mensais -, estão disponíveis passagens de mais de 100 empresas de ônibus que cobrem cerca de 4.600 destinos no Brasil. Até dezembro de 2017, a ClickBus já tinha vendido mais de 6 milhões de passagens pela internet faturando cerca de R$ 300 milhões.

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VIAÇÕES OFFLINE

As viações já usavam softwares para controlar as operações, os assentos disponíveis em cada ônibus e cada rota, mas esse controle era usado apenas offline e pelos funcionários. Além disso, não havia um padrão e cada sistema era diferente um do outro. E muitas delas sequer tinham presença na internet.

Com isso a ClickBus criou um software que é compatível com os sistemas das viações e, dessa maneira possibilitou que se conectassem. Além disso desenvolveu os sites dessas empresas, desde que começou a oferecer esse serviço, já criou plataformas para mais de 70 viações.

 

ÔNIBUS X AVIÃO

Nos últimos 10 anos, os ônibus tiveram que se adaptar para não perder espaço. O crescimento da classe média e a popularização das viagens de avião, tendências da última década, abalaram os negócio das viações rodoviárias.

Entre 2002 a 2017, a tarifa média para passagens aéreas domésticas caiu quase 50%. Em 2008, a participação do transporte aéreo no mercado de viagens era de 43,9%, contra 56,1% do rodoviário. Já em 2017, a participação das viagens de avião foi de 67,5%, frente 32,5% do rodoviário, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Como forma de reagir á concorrência, as empresas de ônibus passaram a incluir confortos como internet, kit lanche e entradas USB e mostrar aos clientes os benefícios de se viajar de ônibus. A maioria das viações apenas confiava na necessidade que as pessoas tinham de se locomover, mas com a variedade de opções, viram a urgência de se investir em propaganda.

Além da propaganda, também investiram em marketing. Muitas viações não tinham um departamento próprio voltado para marketing e a ClickBus passou oferecer mais esse serviço. Para completar, também vende dados de inteligência sobre a operação, logística e comportamento dos clientes.

 

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CONCORRÊNCIA

A principal concorrente da ClickBus é o site Guichê Virtual. A empresa nasceu também em 2013, quando um amigo em comum dos fundadores precisava ir toda semana até a rodoviária do Rio de Janeiro só para comprar passagens para ir para casa, em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Logo viram a oportunidade de negócio e, juntos decidiram arriscar.

Pouco a pouco, a Guichê Virtual foi ganhando terreno e, em 2016, atraiu seu primeiro sócio: Julio Vasconcellos, fundador do site de compras coletivas Peixe Urbano e um dos principais investidores-anjo do país. Novos sócios e investidores foram chegando. No início de 2017, a Kaszek Ventures, fundo de investimento criado por executivos do Mercado Livre, também virou acionista da companhia. A meta, agora, é convencer mais brasileiros a comprar online.

Liderado pela ClickBus e o Guichê Virtual, o mercado de vendas de passagens rodoviárias online tem outros concorrentes. Como o site de vendas de passagens aéreas Decolar.com, que vende tíquetes de ônibus para cobrir viagens para lugares que não tem linha aérea. E existem também os sites Queropassagem, Brasil By Bus, De Ônibus e Rodoviária Online.

Um nicho que vem sido explorado no setor é o de busca de passagens, encabeçado pelo BuscaOnibus, que consolida em um só lugar os horários e linhas de ônibus do país oferecendo links para as plataformas de pagamento das empresas licenciadas para venda de passagem – como as citadas acima.

 

NOVOS PLAYERS

Empresas internacionais também podem crescer os olhos para o Brasil. A empresa indiana redBus, uma das maiores do mundo nesse mercado, e que tem como controlador o grupo sul-africano Naspers, comprou em julho a peruana Busportal, que tem operações no Chile e na Colômbia. A redBus tem 2.000 viações clientes na Índia e vende mais de 2 milhões de passagens por mês no país.

Fora isso, novos negócios surgem a cada dia para embaralhar o jogo. Empresas de carona, como BlaBlacar, já são concorrentes diretos das empresas de ônibus. Uber, 99 e outros aplicativos e e-hailling também podem vir a ser. Há ainda a (remota) possibilidade de o Brasil investir em outras opções de transporte intermunicipal, como trens e trens de velocidade. As possibilidades são infinitas.

 

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