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Headspace vs Calm: A guerra por trás do mindfulness

Redação DuMoney 7 de janeiro de 2019 atualizado às 18:35

Os aplicativos de meditação estão em guerra. Headspace e Calm estão disputando diretamente a liderança do mercado de mindfulness que tem valor aproximado de US $ 1,2 bilhão

mulher meditando

Headspace e Calm disputam a liderança do mercado de apps de meditação / Shutterstock

 

Headspace e Calm. À primeira vista, as duas empresas são parecidas: são financiadas por capital de risco e fundadas por empreendedores britânicos que se mudaram para a Califórnia, nos Estados Unidos. As duas startups também praticam diariamente o que vendem ao oferecer a seus funcionários sessões diárias de meditação em seus escritórios. Mais uma convergência: ambos os aplicativos foram baixados mais de 38 milhões de vezes – cada um atingindo 1 milhão de assinantes pagos em junho deste ano.

O Headspace foi fundado antes, em 2010, por Rich Pierson e Andy Puddicombe – que passou 10 anos estudando meditação em mosteiros budistas. O aplicativo curtiu uma boa liderança do segmento, até que, em 2017, o Calm o alcançou de vez, impulsionado pelo prêmio de melhor app do ano, promovido pela Apple.

Rich Pierson, do Headspace ressalta a experiência que o colega tem no assunto: “Se você fosse consultar um psicólogo, provavelmente gostaria de saber onde eles treinaram e qualificaram. É o mesmo com a meditação ”, diz Pierson em entrevista recente ao Wall Street Journal. A alfinetada é em referência ao fato de os fundadores da Calm terem trabalhado anteriormente em jogos e publicidade online.

Calm, por sua vez, foi fundado em 2012 por Alex Tew e Michael Acton Smith, e permite que os ouvintes escolham entre diversos narradores de meditação e imagens de paisagens leves, como riachos e plantações. Curiosamente, cerca de metade dos usuários do Calm usam o app para dormir, em vez de um aplicativo de meditação, conta a empresa. Eles sintonizam o Calm Sleep Stories, que funcionam como histórias de ninar e são narradas por atores.

Headspace usa cartoons animados para orientar o usuário através de sessões de meditação, todas guiadas pelo Sr. Puddicombe. Além de programas de estresse e ansiedade, oferece sessões de sono, produtividade e condicionamento físico.

 

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Headspace era o líder do mercado até 2017 / Shutterstock

 

Com qualificação ou não, o Calm liderou a categoria em downloads e receita desde dezembro do ano passado, com faturamento de US $ 50,7 milhões. Headspace, agora em segundo lugar, teve receita de US $ 34,3 milhões, de acordo com estimativas da empresa de dados móveis Sensor Tower.

BOOM DO MERCADO

Depois que estudos mostraram que a meditação pode melhorar o sono e a produtividade, o setor de meditação – incluindo aulas de estúdio, workshops, livros, cursos on-line e aplicativos – inchou e agora vale cerca de US $ 1,2 bilhão. E de acordo com uma estimativa feita pela consultoria Marketdata Enterprises no ano passado, não vai parar por aí.

O boom do mindfulness fez com que surgissem mais de 2 mil aplicativos relacionados ao tema nos últimos três anos. Mas, não tem jeito, olhando para a receita gerada, 85% é dominada pela dupla Headspace e Calm.

Nos EUA, cerca de 22% das empresas começaram a oferecer a seus funcionários treinamento em mindfulness em 2016, e outros 21% planejaram adicioná-lo em 2017, de acordo com uma pesquisa do Grupo Nacional de Negócios em Saúde e Investimentos da Fidelity. Isso se deve a crença de que a meditação aumenta a produtividade e reduz os custos dos cuidados com a saúde relacionados ao estresse.

 

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Calm é o atual líder do mercado de apps de meditação / Shutterstock

 

NOVOS INVESTIMENTOS

Um dos caminhos para aumentar a receita identificado pelos apps são as parcerias com empresas que se interessaram pelo mercado de mindfulness.  O Headspace, por exemplo, já fechou contrato com cerca de 300 companhias, entre elas, gigantes como Unilever, LinkedIn e até a NBA.

Já a Calm, não está entrando tão agressivamente nessa onda e se contenta em fazer contrapropostas para empresas que receberam ofertas da rival, conforme disse Dun Wang, diretor de produto e crescimento da Calm, em entrevista recente ao Wall Street Journal: “As empresas nos abordam e dizem: ‘Recebemos essa proposta do Headspace, vocês também querem fazer uma oferta?’ Está funcionando muito bem para nós.”

Em outubro deste ano, o app fechou uma parceira com a American Airlines que basicamente teria os vídeos de paisagens calmantes rodando nas telas dos assentos durante o embarque, expondo a marca a mais de 200 milhões de passageiros por ano.

Em contrapartida,  o Headspace quer inovar e busca a aprovação da Food and Drug Administration para se tornar o primeiro aplicativo de meditação que pode ser prescrito para certas doenças crônicas. 

Isso tudo prova que meditação não é sinônimo de inércia e passividade. As duas startups seguem competindo para se consolidarem como líderes do mercado de meditação numa disputa que não tem nada de zen.

Em Empreendedorismo

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