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Foco e concentração: guia definitivo para aumentar a produtividade

Redação DuMoney 28 de novembro de 2018 atualizado às 14:46

Sabia que demoramos mais de 25 minutos para recuperar nossa concentração depois que somos interrompidos? Como manter o foco, aumentar sua produtividade e evitar distrações

homem concentrado trabalhando no computador

Nós nos interrompemos tanto quanto somos interrompidos, mostra estudo Flickr/via0.com

 

Faça o teste: quando for trabalhar, repare em quantas vezes você será interrompido enquanto está concentrado em alguma tarefa. Em alguns casos, o número passa das centenas.

É desencorajador fazer um dia de 10 horas, mas sentir que você não concluiu nada. De telefonemas até colegas de trabalho com perguntas rápidas, às vezes, parece que a maior parte do trabalho é a interrupção.

Professora da Universidade da Califórnia, Gloria Mark é especialista nos efeitos das distrações e interrupções no escritório. Suas pesquisas começaram a chamar atenção em 2006, antes mesmo da popularização de smartphones, graças a uma descoberta: a jornada de trabalho se conta mais em minutos do que em horas.

TEMPO DE CONCENTRAÇÃO

Em entrevista à Gallup, a pesquisadora conta como foi feito um estudo em que ela e sua equipe observaram e cronometraram (literalmente) as rotinas de diversos funcionários. No estudo, foi constatado que o tempo médio que as pessoas passam realizando alguma tarefa antes de uma interrupção é de apenas três minutos e 5 segundos. Ou seja, em muitos ambientes, esse é o máximo de tempo que as conseguimos realmente nos concentrar em algo.

A quantidade média de tempo que as pessoas passaram trabalhando em um dispositivo (leia-se computadores, smartphones, telefone do escritório e documentos em papel) antes de trocar para outro foi de 2 minutos e 11 segundos.

Outra constatação foi que algumas interrupções são provenientes de fontes externas. Ou seja, é uma notificação de e-mail, o telefone toca, algum colega vem falar com você ou alguém te manda um meme pelo whatsapp.

“O que me fascina é que as pessoas se interromperam quase tanto quanto foram interrompidas por fontes externas. Eles se interromperam em cerca de 44% do tempo. O resto das interrupções eram de fontes externas”, disse Mark.

DISTRAÇÃO X INTERAÇÃO

E o que caracteriza uma distração é mais o conteúdo da interrupção do que o meio pelo qual ela chega até nós. Interrupções podem ser benéficas ou não. Quando uma interrupção era de um assunto diferente do que o funcionário observado estava engajado no momento, era chamado de distração, ou seja, ruim e danoso para a concentração. Por outro lado, quando estavam envolvidos em um determinado assunto, e eram interrompidos com o mesmo conteúdo, os funcionários chamavam de interação. E, por tanto, era benéfico

A boa notícia é que o trabalho mais interrompido foi retomado no mesmo dia em 81,9% e foi retomado, em média, em 23 minutos e 15 segundos, o que, segundo a pesquisadora, não é um tempo tão longo.

Mas a má notícia é que, quando você é interrompido, você não volta imediatamente para a tarefa que estava fazendo antes de ser interrompido. Geralmente, fazemos cerca de duas tarefas antes de voltar para a tarefa original, por isso Mark alerta, “é preciso mais esforço para reorientar-se de volta para a tarefa original.”

SEMPRE ALERTA

O motivo pelo qual nos interrompemos sozinhos pode ser a Atenção Parcial Contínua – ou CPA. O termo cunhado pela ex- consultora da Apple e da Microsoft, Linda Stone.

Como adotamos um comportamento sempre ativo a qualquer hora, em qualquer lugar – por conta dos smartphones e redes sociais que nos bombardeiam o tempo todo com informação -, existimos em um estado constante de alerta que escaneia o mundo, mas nunca dá atenção total a nada.

No curto prazo, nos adaptamos bem a essas demandas, mas a longo prazo os hormônios do estresse – adrenalina e cortisol – criam um estado fisiológico de hiper-alerta que está sempre buscando estímulos, ou seja, distrações.

Adrenalina e cortisol servem para nos ajudar durante picos de atividade intensa, mas no longo prazo eles podem eliminar os bons hormônios do nosso cérebro,  – serotonina e dopamina, que nos fazem sentir a calma e a felicidade – afetando nosso sono e ritmo cardíaco, fazendo-nos sentir nervosos.

O escritor Nicholas Carr percebeu os malefícios das interrupções constantes a longo prazo, conforme escreveu em um artigo em 2008, antes de publicar seu livro The Shallows: What the Internet Is Doing to Our Brains (A Geração Superficial: o Que a Internet Está Fazendo Com Os Nossos Cérebros) dois anos depois.

Segundo ele, nosso uso exagerado de mídia digital, elevou a chamada “multitarefa” a um outro nível, mas na verdade, não somos multitarefa. Em vez disso, estamos constantemente trocando entre diferentes atividades.

Então, esta adaptação fisiológica, fomentada pelo nosso comportamento, é uma razão predominante para o baixo nível de concentração que tanta gente relata.

TREINE SEU CÉREBRO

Pra melhorar nossa concentração e consequentemente nossa produtividade, temos que  descobrir o que estamos fazendo para sabotar nossa concentração e em seguida achar maneiras de reduzir as distrações que temos durante o dia.

Existem várias formas de treinar sua concentração, como meditação, praticar exercícios ou simplesmente ter uma boa noite de sono. Uma  delas é a regra do “só mais cinco“. Quando estiver lendo um livro e sentir que sua mente esta divagando, em vez de parar, se force para ler só mais cinco páginas. A mesma coisa com exercícios, meditação ou atividades por tempo, só mais cinco minutos, mais cinco metros, e assim vai.

Outra técnica usada é a do relógio. Pegue um relógio analógico, daqueles com ponteiros e fique observando o ponteiro dos segundos dar a volta completa no relógio, do 12 ao 12. Mas a concentração tem que ser total, não se permita pensar em mais nada, apenas siga o ponteiro. Se sua mente divagar deverá esperar o ponteiro voltar ao 12 para começar de novo o exercício. Esses treinos vão acostumar sua mente a se manter concentrada mais e mais tempo, fazendo com que se interrompa com menos frequência e consequentemente elevando sua produtividade.

Em Empreendedorismo

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