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Viés do Presente: por que é tão difícil poupar para a aposentadoria

Redação DuMoney 17 de setembro de 2018 atualizado às 15:33

O Viés do Presente mostra como privilegiamos o momento atual na hora de consumir.A Economia Comportamental pode ajudar, mas cultivar o hábito de poupar para a aposentadoria não depende só dela

Poupar recursos durante os anos de trabalho para a aposentadoria é desafio / Shutterstock

 

Quando um benefício está à disposição dos consumidores, seja um produto ou um serviço, grande parte dos clientes preferem aproveitar logo, do que deixar a oferta para futuro.  Segundo os psicólogos e economistas comportamentais, esse tipo de raciocínio mostra como funciona o Viés do Presente, que funciona, na prática, quando valorizamos tudo relacionado ao tempo mais próximo do agora.

Tome como exemplo alguns experimentos: a maioria das pessoas opta por receber R$ 150 hoje em vez de  R$ 180 daqui a um mês, preterindo o retorno de 20%. Só que quando perguntados se prefeririam US $ 150 por ano a partir de agora, contra US $ 180 em 13 meses, a maioria escolheria esperar o mês extra pelos  R$ 30. Curioso, não é?

Pois é, mas o Viés do Presente, além de mostrar um pouco como nos comportamos sobre a aproveitar uma oportunidade, ele também fornece uma boa explicação do motivo pelo qual as pessoas não economizam.

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Brasil afora, somos notoriamente ruins em poupar, mesmo quando nossos rendimentos permitem. De acordo com estudos de mercado, temos a tendência em ver nosso futuros separados do “nosso hoje”, tomando a decisão sempre de gastar conosco hoje a poupar para algum “estranho” amanhã.

APLICAÇÃO NA APOSENTADORIA 

A economia comportamental fornece uma maneira de abordar o Viés do Presente no que se refere à poupança para a aposentadoria na forma de inscrição automática em planos de contribuição definida.

Veja o exemplo do modelo de previdência privada. Para incentivar o acúmulo de recursos para a aposentadoria, algumas empresas, por exemplo, oferecem planos de previdência, depositando a mesma quantia que o funcionário deposita. O sistema é chamado de coparticipação. Ou seja, se um trabalhar escolhe separar R$ 500 para seu plano de previdência privada, a companhia deposita o mesmo valor.

Estudos de mercado revelam que essa tática aumenta relativamente a participação dos trabalhadores nos planos de aposentadoria. 

Isso tudo é uma boa notícia, certo? Mais ou menos. Iniciativas como a coparticipação e outras estratégias econômicas comportamentais abordam os resultados, mas não o problema subjacente, que é a incapacidade de se planejar para poupar.

PALAVRA DE ESPECIALISTA: Samuel Barros, professor de finanças do Ibmec-RJ

– Educação financeira é a grande dor de cabeça do brasileiro. Se nossa população tivesse mais conhecimento na área, o Viés do Presente seria muito menor. A proposta de ter mais educação financeira é fazer com que o indivíduo pense na aposentadoria, ensinando o valor do dinheiro, principalmente o valor do dinheiro no tempo; ensinar a que ele é possível ganhar mais dinheiro e ter uma qualidade de consumo e de vida no futuro se ele poupar agora. Assim, ele vai começar a repensar algumas atitudes de consumo praticadas. Só que não tem jeito, isso não depende da gente. É mais um movimento conjunto da sociedade com o governo para ensinar educação financeira a população. E depende também da educação da pessoa – não necessariamente uma educação formal. Sabemos que a previdência, da forma como está constituída hoje no Brasil, não está na melhor das situações. Então, se essa pessoa se conscientizar, talvez facilite.

 

Em Educação Financeira

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