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Como as fintechs querem ajudar no processo da desbancarização

Redação DuMoney 27 de dezembro de 2018 atualizado às 16:04

Grande parcela da população que não tem acesso ao sistema bancário é acolhida por fintechs

Existem 60 milhões de desbancarizados no Brasil. Como fintechs atendem público desprezado pelos bancos? / Shutterstock

 

No Brasil, há cerca de 60 milhões de desbancarizados, segundo o último estudo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número representa quase metade da população economicamente ativa, estimada em 110 milhões de pessoas.

O grupo movimenta R$ 665 bilhões ao ano –  mais do que o PIB de países como Chile e Cingapura – e, segundo dados do Data Popular, está espalhado por todas as classes econômicas – 48% pertencem à classe média, 11% à classe alta e 37% à classe mais humilde.

De olho nesse público desbancarizado, vários bancos digitais – classificados como fintechs, empresas de tecnologia financeira – têm ganhado clientes. Por não pedirem comprovante de renda e oferecerem taxas mais acessíveis, os bancos digitais têm sido preferência de grande parcela da população. 

FINTECHS COMO SOLUÇÃO SOCIAL

Segundo Bruno Diniz, diretor do comitê de fintechs da ABStartups, a maioria das empresas de tecnologia financeira com iniciativas sociais nascem diretamente nos lugares que atendem.

“Elas estão inseridas diretamente no local para o qual foram criadas, é aonde estão os trabalhadores e as pessoas que vão se beneficiar daquele serviço”, afirma Bruno.

Um exemplo é o Banco Maré, criado em 2006 no complexo de favelas Maré, no Rio de Janeiro, pelo analista de sistemas Alexander Albuquerque. O acesso ao sistema bancário era um problema na comunidade e Albuquerque criou a fintech para atender a população do local onde morava.

Hoje, mais de 20 mil pessoas possuem uma conta digital no Banco Maré e usam os serviços para comprar itens no comércio local ou pagar contas.

Funciona assim: o vendedor insere o valor do produto e gera um código QR no aplicativo (que pode ser escaneado pelo celular). O cliente clica em pagar na tela do seu celular, lê o código e a transação está feita. Apenas em março deste ano, a empresa movimentou mais de R$ 2 milhões só com pagamentos de boletos.

Outro movimento nesse sentido é o Cufa Card, lançado no ano passado pela Central Única das Favelas (Cufa) presente em todos os estados brasileiros e em 17 países.

O Cufa Card é um cartão de débito ligado a uma conta digital e voltado à população que não tem acesso a serviços bancários convencionais por não ter como comprovar renda ou ter nome sujo.

O cartão é gerido por uma companhia também com o nome de Cufa Card. A empresa foi criada pela Favela Holding em parceria com a Conta Um, uma companhia focada em soluções financeiras, como cartões e contas digitais.

O fundador da Cufa, Celso Athayde diz, em entrevista à Agência Brasil, que o objetivo é levar inserção econômica às comunidades e fazer com que o dinheiro circule entre pequenos empreendedores e pessoas desbancarizadas.

“A gente customizou um produto para esse território, para essas pessoas, e a ideia é fazer desse cartão uma moeda comunitária. Um grande número dessas pessoas não trabalha formalmente, tem dificuldade de comprovar renda, e outros estão negativados e também não podem”, explica.

 

“EXISTE TENDÊNCIA DE AMBIENTE MAIS COMPETITIVO”

Uma pesquisa da FEBRABAN 2017  mostra a preferência dos clientes pelos canais digitais. Em apenas 3 anos, o volume de transações bancárias via smartphones quadruplicou. Indicando assim o potencial dos bancos digitais, assim como uma mudança evidente no comportamento dos consumidores de serviços bancários.

A adesão aos canais digitais é um reflexo do aumento de confiança dos clientes, assim como a busca pela praticidade e agilidade oferecida por estes canais.

Segundo Gabriel Kallas, sócio fundador da Toro Investimentos – primeira fintech a atuar como corretora e negociar ações na Bolsa de Valores brasileira -, a existência de fintechs e bancos digitais gera um ambiente de concorrência saudável e colabora para a desconcentração bancária:

Existe uma tendência de diversificação e de um ambiente mais competitivo que já está acontecendo municiado pela tecnologia. É praticamente impossível uma fintech concorrer com um grande banco presencialmente, mas hoje consigo estar nos mesmos lugares que o Bradesco ou o Itaú por causa da internet. Acho que esse movimento vai se intensificar  com empresas que vão oferecer serviços e experiências de maneira mais eficiente, barata e rentável do que o banco convencional”, explica Kallas.

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