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Crise de 2008: O que o brasileiro aprendeu?

Redação DuMoney 19 de outubro de 2018 atualizado às 18:40

Já sabemos que a crise de 2008 atingiu em cheio o Brasil, mas o que ficou de aprendizado? Veja o que o brasileiro aprendeu com a recessão mundial

bandeira do Brasil com seta para baixo

Cerca de 65,2% dos brasileiros disseram que aprenderam a economizar seu dinheiro / Shutterstock

 

Em setembro deste ano, completou-se uma década da falência do banco de investimento Lehman Brothers. O choque provocado pela quebra da instituição financeira, sediada em Wall Street, em Nova York, abriu um rombo de US$ 691 bilhões no mercado, o que acabou sendo um marco para a grande crise financeira de 2008.

De forma indireta, houve uma derrubada do preço das matérias-primas – atingindo em cheio a economia brasileira -, abriu-se as portas para a crise especulativa sobre as dívida na zona do euro, e muitos países mergulharam suas economias em uma recessão Mas, afinal, que tipo de lições foram tiradas após o episódio?

Todos acharam que a crise não afetaria tanto o Brasil, que seria apenas uma “marolinha”. Mas aí as contas públicas se desequilibraram, o governo perdeu a capacidade de atrair investimentos e, a partir de então, tudo virou uma bola de neve. A crise político-econômica passou a dar as caras – junto com o aumento da inflação e do desemprego. E então a crise se instaurou. O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou queda por dois anos consecutivos (-3,8% em 2015, e -3,6% em 2016). Diante disso, ninguém mais pôde ficar indiferente à crise.

Pesquisa realizada a partir de um levantamento que ouviu 1.200 pessoas entre 18 e 45 anos de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e Campo Grande, aponta um resultado que retrata os reflexos deixados pela crise no imaginário dos cidadãos.

Os brasileiros sentiram na pele e aprenderam na marra a lidar com dívidas e problemas financeiros. Famílias perderam poder aquisitivo e cortaram gastos supérfluos. O índice de trabalho informal, os “bicos”, aumentou por conta de pessoas precisavam complementar a renda. Quando questionados durante a pesquisa sobre o que aprenderam com a crise, os respondentes apontaram três lições principais: economizar (65,2%), exigir seus direitos (25,8%) e calcular juros (9%).

“A CRISE FOI REFLEXO DE UM EXCESSO DE OTIMISMO”

Para a analista financeira, Heloísa Cruz, ates da crise todos achavam que o Brasil era o país do futuro e isso levou a uma confiança excessiva.

“Com a crise de 2008, aprendemos que não temos certeza de nada. As pessoas gastavam com mais facilidade, e acreditavam que tudo ia dar certo. Uma das lições seria não contar tanto com o futuro, não tomar tanto crédito, não se endividar tanto, contando que a economia vai continuar crescendo.”

O mercado financeiro sofria com o mesmo otimismo, com investidores apostando em empresas acreditando que continuariam crescendo para sempre. E ignorando os preceitos do mercado e a variação constante dos ativos.

“Como investidor a lição seria manter uma carteira variada para se prevenir de um baixo rendimento de alguma aplicação. Na bolsa muita gente via uma empresa crescendo e investia indiscriminadamente. Só porque a empresa está indo bem não quer dizer que vai dobrar de valor. Então tinham muitas expectativas irreais. As pessoas achavam, que as margens das commodities iam se manter altas. Quando na verdade as commodities sempre variam e as pessoas tem que considerar essa oscilação. A crise foi reflexo de um excesso de otimismo”, diz Heloísa.

 

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