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Por que o local em que você vota pode influenciar na escolha do candidato

Redação DuMoney 2 de outubro de 2018 atualizado às 14:58

Local de votação pode ser decisivo na vitória de um candidato, segundo estudo. Leia e entenda.

 

Segundo pesquisadores, votar numa escola, pode fazer com que eleitor se sensibilize sobre questões educacionais / Schutterstock

 

No próximo final de semana, mais de 140 milhões de brasileiro poderão escolher quem governará o país pelos próximos quatro anos. E mesmo a poucos dias do pleito, ainda é grande o número de eleitores que admitem trocar o candidato que estão inclinados a votar. Mas, afinal, como o local onde se vota pode pesar na hora da decisão?

Cientistas políticos geralmente presumem que o voto é baseado em preferência racionais e estáveis. Logo, as pessoas têm crenças, gostos e consideram propostas que as agradam para decidir como votar. Se nos importamos com o meio ambiente, por exemplo, votamos em candidatos com propostas ambientais. Mas se estamos preocupados com o sistema de saúde, apoiamos candidaturas que propõem aumentar a cobertura. Resumindo: o comportamento do eleitor, para muitos, é calculista.

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Só que, segundo o especialista em marketing Jonah Berger, conforme relatado no livro Contágio, essa teoria não é tão certa assim. Segundo ele, o local em que você vota, pode influenciar a sua decisão.

VAMOS AO ESTUDO

Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, a maioria das pessoas é designada a votar em um local de votação específico. Em geral, são prédios públicos, como escolas, tribunais, quartéis militares, mas também podem ser igrejas, prédios comerciais ou particulares.

E, claro, diferentes locais podem provocar diferentes gatilhos. Igrejas estão repletas de imagens religiosas, que podem lembrar sobre determinada doutrina. Já escolas têm armários, carteiras e lousas, que podem fazer com que nos lembremos dos filhos ou experiências educacionais do passado. Logo, se esses pensamentos forem ativados, pode mudar o comportamento.

Questão: sendo assim, a votação em uma escola pode levar uma pessoa a apoiar investimento em Educação?

Para testar a hipótese, Berger, ao lado dos pesquisadores Christian Wheeler e Marc Meredith, acompanharam o processo eleitoral das eleições gerais do estado do Arizona, nos Estados Unidos, em 2000. E para isso, utilizaram a seguinte metodologia: primeiro analisaram a totalidade de lugares em que as pessoas votariam. De acordo com a análise, 26% do eleitorado iriam votar em escolas, 10% em centros comunitários e o restante em um mistura de prédios residenciais e até parques.

A seguir, o trio examinou se as pessoas realmente votavam de maneira distinta em diferentes tipos de seções eleitorais. Entre as propostas que iriam ser votadas, eles se debruçaram sobre a decisão do eleitorado a respeito de um projeto que visava aumentar impostos para investir em escolas públicas.

Segundo Berger, a proposta foi debatida intensamente por alguns meses e havia bons argumentos dos dois lados. Logo, imagina-se, se o lugar onde as pessoas votam não importasse, o percentual de apoio à iniciativa deveria ser o mesmo nas escolas e nos locais, correto?

RESULTADO DO TESTE

Só que não foi isso que ocorreu. Onde a seção eleitoral era uma escola, cerca de 10 mil pessoas votaram a mais em favor da proposta da criação do imposto para o investimento escolar  – e a proposta foi aprovada.

Para corrigir possíveis inconsistências, os pesquisadores afirmam que, inclusive, compararam dois grupos semelhantes de eleitores para a chagar na mesma conclusão: pessoas que moravam perto de escolas e acabaram votando em uma; e pessoas que moravam perto de uma colégio, mas foram escolhidas para votar em locais diferentes (como um prédio público). E o fato é que um percentual consideravelmente mais alto de eleitores que votaram em escolas também apoiaram o aumento do investimento no setor, mesmo com o ônus de mais um imposto.

Pode não parecer muito, mas na eleição americana de 2000, o segundo colocado na eleição presidencial, Al Gore, ficou a menos de 1 mil votos do primeiro colocado, na época, George Bush. Não houve estudo para saber se houve algum gatilho para esse resultado. Mas que eles importam, importam.

Em Economia Comportamental

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