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O uso da Economia Comportamental no Bolsa Família

Redação DuMoney 18 de setembro de 2018 atualizado às 12:07

A Economia Comportamental tem sido aplicada em políticas públicas em vários países do mundo. No Brasil, uma das aplicações foi no programa social Bolsa Família. Veja o que foi feito

mulher segurando o cartão do Bolsa Família

O Bolsa Família atende cerca de 13,49 milhões de famílias / Shutterstock

 

As ciências comportamentais foram usadas em um programa de educação financeira para beneficiários do Bolsa Família, que atende famílias de baixa renda. A ideia principal era: como estimular os chefes de família, geralmente mulheres, que recebem o benefício, a poupar, pagar dívidas e planejar o orçamento familiar?

O Ministério do Desenvolvimento Social viu-se com a tarefa de ensinar aquelas mulheres a administrarem melhor seus recursos. E a consultoria Flow Brasil recebeu a missão de auxiliar no desenvolvimento de um programa de educação financeira para as beneficiárias do Bolsa Família.

O programa do governo atende 44,51 milhões de pessoas, equivalente a cerca de 13,49 milhões famílias. E, segundo o governo, dos beneficiários é: estão distribuídos pelas zonas rural e urbana, cada uma têm de três a quatro filhos e vivem com uma renda de aproximadamente R$ 180.

 

COMO SABER QUAIS AS REAIS NECESSIDADES?

Para implementar o projeto de educação financeira, foi necessário identificar os fatores que determinavam o processo de tomada de decisão daquelas mulheres. E como a vida que elas levam é muito diferente do que alguém em um escritório poderia imaginar, a solução viria delas.

A grande questão era estruturar as informações e opções de educação financeira e planejamento de uma forma que levasse em conta as condições e limitações da forma como viviam.

Para ultrapassar a barreira “cultural”, vários membros da equipe passaram alguns dias vivendo com as beneficiarias: comiam e dormiam em suas casas para ter uma noção de como é a vida dessas pessoas.

Depois do process,o foram montadas oficinas de educação financeira e um “kit de tecnologias sociais”, pensado especificamente para as beneficiárias. O kit continha três cofrinhos — um pequeno, um médio e um grande. Os dois primeiros, para o dia a dia e emergências, respectivamente.

O maior era para planos de longo prazo. O kit também tinha uma carteira que facilitava o controle de entrada e saída de dinheiro e, devido ao alto índice de analfabetismo, uma agenda para planejamento com ícones coloridos que dispensavam a necessidade de saber ler.

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RESULTADO DO PROJETO

Após a implementação do programa, pequisas e questionários mostraram que a iniciativa aumentou de 19% para 34% o percentual de mulheres que conseguiam custear ao menos uma emergência.

Elevou de 27% para 38% a quantidade de beneficiárias que mantinham uma poupança ou reserva de dinheiro.

Houve uma melhora de 9,5% no índice de planejamento do orçamento; além de um ganho de 73% no índice de conhecimento sobre planejamento financeiro doméstico.

A despeito dos números positivos, existem outras questões a serem levantadas sobre o projeto. O consultor financeiro Guilherme Dias, professor da FGV se diz cético a esse tipo de ação do governo.

“Apesar dos bons resultados neste programa, em muitos casos as pessoas não conseguem aprender pela falta conhecimento básico em disciplinas como Português e Matemática. Ou seja, é difícil  ensinar alguém a correr, se essa pessoa ainda não sabe andar. Acabamos voltando a discussão da Educação Básica de qualidade. O ideal seria chegar com esse tipo de programa de planejamento financeiro a quem já é capaz de aprender e melhorar suas habilidades”, coloca o professor.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA É PARA TODOS

O planejamento e a educação financeira são importantes não apenas para quem tem o orçamento apertado, mas para todos que desejam estar preparados para imprevistos e realizar sonhos e planos a longo prazo.

Na era da internet ficou mais fácil se informar e aprender técnicas de planejamento financeiro. Podemos ler artigos e livros, ter acesso a aplicativos de organização e acompanhar profissionais reconhecidos no mercado.

Um desses profissionais é o economista, psicanalista e planejador financeiro, Fabiano Calil, que ministra um curso de Clínica Financeira, ideal para quem quer tomar o controle de sua vida financeira e se preparar para imprevistos e/ou planos a longo prazo.

 

Em Economia Comportamental

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