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Entenda o que é o nudge: a teoria do empurrão para a escolha certa

Redação DuMoney 30 de julho de 2018 atualizado às 11:48

Conhecida também como a Teoria do Incentivo, o termo ganhou visibilidade com o Nobel de Economia de 2017 conquistado pelo economista Richard Thaler. Entenda o que é o nudge: a teoria do o empurrão para a escolha certa

 

Governo britânico montou um time de insights comportamentais/ Schutterstock

 

Depois que Richard Thaler conquistou o Nobel de Economia, em 2017, a economia comportamental ganhou mais visibilidade, assim como o nudge, a Teoria do Incentivo. Citado várias vezes para explicar algum comportamento de consumidores e investidores, o conceito tem entusiastas e críticos.

Para deixar tudo mais claro, o DuMoney mergulha na teoria apresentada por Richard Thaler e Cass Sunstein no livro Nudge: O Empurrão Para a Escolha Certa (2008).

Segundo os autores, a economia clássica é habitada pelo Homo Econnomicus, um ser totalmente racional, que toma decisões com base nas informações disponíveis e escolhe sempre a opção que vai melhor servir a ele. A partir desse entendimento, um consumidor não vai comprar três pacotes de bolacha (quando precisa apenas de um) só para ganhar um copo da marca (que ele não precisa).

Também é lógico pensar que uma pessoa vai decidir economizar parte do seu salário para garantir uma vida mais confortável na aposentadoria. As teorias da economia comportamental provam que não é bem assim. Richard Thaler e Cass Sunstein classificam esse ser de “mitológico”. Segundo Thaler, “o homo economicus pode pensar como Albert Einstein, armazenar tanta memória quanto o Big Blue (supercomputador) da IBM e exercer a força de vontade de Mahatma Gandhi”.

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As pessoas “de verdade” são falhas, emotivas e tomam decisões com base em crenças e aspectos culturais. É aí que entra o conceito de nudge, ou empurrãozinho. A teoria atesta que tomamos decisões diferentes, dependendo da forma como a questão é apresentada. Com base nisso, o empurrão seria moldar o formato das situações para levar as pessoas a tomarem determinado caminho. Cass Sunstein define o termo como uma intervenção que preserva a liberdade de escolha, ainda que possa influenciar a tomada de decisão. Em outras palavras, a ideia por trás dos empurrões não é coagir, mas induzir.

A TEORIA NA PRÁTICA

O livro argumenta que os governos têm várias oportunidades para melhorar as políticas públicas. Consequentemente, após a publicação, Sunstein foi nomeado chefe do escritório de informações e assuntos regulatórios do governo Obama, em 2009. No ano seguinte, Thaler se tornou conselheiro do governo britânico para a montagem de um time de insights comportamentais, levando a uma onda mundial de nudging.

A doação de órgãos é exemplo de uma política pública em que a aplicação da teoria funcionou. A Espanha opera um sistema em que todos os cidadãos são automaticamente registrados para doação de órgãos, a menos que decidam indicar o contrário. Diferentemente do Reino Unido, onde os doadores têm que indicar que querem ser doadores.

O sistema de registro automático é uma das razões pelas quais a Espanha é líder mundial em doação de órgãos. A França também mudou para um regime de registro automático. A teoria é que no fundo, a maioria das pessoas quer ser doadora e salvar a vida de outra pessoa, mas por várias razões, nunca chegam a se registrar. O sistema de registro automático torna mais fácil para elas fazerem o que realmente querem.

Outro exemplo de nudge é na elaboração de formulários. Por exemplo: uma empresa oferece planos de aposentadoria privada a seus funcionários. Se no formulário o empregado precisa assinalar a opção de “não, não quero o plano de aposentadoria”, o índice de contratação é muito mais alto do que se o funcionário tiver que marcar a opção “sim, quero o plano de aposentadoria”. Isso porque as pessoas tendem a aceitar a opção que lhes é dada, sem ter que arcar com os custos psicológicos da escolha.

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QUAIS AS CRÍTICAS

Uma censura comum às políticas de “empurrãozinho” é que elas tratam as pessoas como crianças. A resposta de Thaler é que “não existe um modo neutro de apresentar escolhas, então por que não apresentá-las de um modo que dê os melhores resultados?” Contanto que as escolhas sejam transparentes, e submetidas a políticos democraticamente eleitos, o nudge representa, para Thaler, uma espécie de “paternalismo libertário”: políticas minimamente invasivas que inclinam as pessoas a tomar melhores decisões econômicas.

“Paternalismo Liberal” é um movimento que possui aspectos do liberalismo, como crer que as pessoas devem ser livres para tomar suas próprias decisões e escolher o que é melhor para si, e aspectos do paternalismo, influenciar para que de alguma forma as pessoas tomem as decisões certas e que são melhores para elas.

Pode parecer contraditório, mas não é, já que a intenção é que as pessoas tomem suas próprias decisões como queiram, sendo que a situação está disposta de maneira que seja mais provável que ela escolha a melhor opção. Esta influência ou paternalismo é feito com nudge, assim existindo o livre arbítrio dos indivíduos, que podem optar pela pior alternativa. A descrição oferecida pelos autores de sua abordagem é “um tipo de paternalismo relativamente fraco, suave e não intrusivo”.

Thaler e Sunstein querem ajudar pessoas reais e falíveis a optarem pelo melhor sem retirar o direito de escolha. Em muitos casos, o estímulo necessário é eliminar a necessidade de as pessoas fazerem alguma coisa, já que a inércia e a ociosidade são componentes fixos da psicologia humana.

Em Economia Comportamental

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