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Como a economia comportamental pode ajudar a combater a overdose

Redação DuMoney 10 de setembro de 2018 atualizado às 12:09

Consumo de opioides no Brasil cresceu 465%. Nos Estados Unidos, 42 mil pessoas morreram por overdose de medicamentos usados para conter dores agudas em 2016. Boa notícia: a Economia Comportamental pode ajudar os médicos resolverem o problema. Confira!

capsulas de remédios espalhados em fundo azul

Ao saber da morte de paciente, médico pode mudar o comportamento / Schutterstock

 

O uso de opioides – categoria que inclui tanto drogas derivadas do ópio, como morfina, quanto substância sintéticas que imitam seus efeitos, como fentanil, usados para conter dores agudas – na sociedade disparou nos últimos anos. No Brasil, entre 2009 e 2015, houve aumento de 465% nas prescrições médicas.

E como a venda desses analgésicos no país é condicionada à apresentação de receita, um dos motivos para esse aumento é justamente a prescrição excessiva feita pelos médicos – que acabam querendo aliviar a dor dos pacientes.

Como se pode ver, o problema é grave, mas a boa notícia é que a Economia Comportamental pode ser o caminho para mudar o cenário. Nos Estados Unidos, uma equipe de pesquisadores tem conseguido bons resultados depois que diagnosticaram o seguinte fato: quando os pacientes morrem de overdose, os médicos que prescreveram os opioides geralmente não ficam sabendo.

E olha que o problema nos Estados Unidos é até mais alarmante do que no brasil. Por lá, quase dois milhões de americanos são considerados viciados nesta categoria de medicamentos. Apenas em 2016, 42 mil morreram de overdose, com mais de 32.445 mortes provenientes de opioides prescritos.

Pesquisador do assunto, o professor Jason Doctor, da Universidade do Sul da Califórnia, resolveu combater o problema. E a partir da informação de que os médicos não sabem que seus pacientes morreram, ele preparou um estudo que consistia em tentar criar um canal para que todo profissional que receitasse o tipo de medicamento soubesse o que houve com seu paciente.

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Seu estudo envolveu 861 médicos em San Diego, na Califórnia, em que os profissionais da saúde foram divididos em dois grupos para serem analisados. O primeiro grupo de médicos não teve alteração da sua rotina: continuaram receitando os opioides e, se um paciente morresse, ele não ficava sabendo.

Já a outra metade dos médicos que fizeram parte da pesquisa receberam cartas com a seguinte frase: “Esta é uma comunicação de cortesia para informar que seu paciente (nome, data de nascimento) morreu na (data tal). A prescrição excessiva foi a principal causa ou contribuiu para a morte”.

Para testar a hipótese, eles compararam o número de prescrições de opioides alguns meses antes e alguns meses após o envio das cartas. No grupo de médicos em que a rotina permaneceu a mesma, as prescrições permaneceram bastante estáveis ​​(na verdade, aumentaram modestamente). Já no grupo de médicos que receberam a carta, pelo contrário, as prescrições diminuíram significativamente.

POR QUE ISSO OCORREU?

Os pesquisadores especulam que, como todo mundo, os médicos avaliam os riscos à saúde e segurança perguntando se os resultados ruins vêm à mente. Eles, de acordo com os autores da experiência, usaram a “heurística da disponibilidade”, como definiram Daniel Kahneman e Amos Tversky, para explicar que as pessoas, de forma geral, julgam a frequência ou a probabilidade de um evento pela facilidade com que exemplos ocorrem em suas mentes. Ou seja, sabendo que as pessoas podem viciar-se no remédio, ao ponto de morrerem por overdose, é preciso pensar duas vezes antes da prescrição.

OBJETIVO NÃO É IMPEDIR A PRESCRIÇÃO DE OPIÁCEOS

Neste sentido, a carta enviada ao médico revelou uma efetividade importante, já que foi capaz de alterar o comportamento dos médicos. Em outras palavras: uma carta do médico legista de San Diego sobre a morte de um paciente chamou (e muito!) a atenção do médico.

Os pesquisadores enfatizam que sua abordagem poderia ser usada em muitas cidades e estados. Tendo em vista a magnitude da crise de opioides, essa é uma excelente ideia. O estudo enfatiza que não existe a pretensão de impedir que médicos prescrevam os medicamentos quando forem necessários. Mas o feedback sobre os riscos é importante – e, se for vívido, é provável que tenha um impacto.

Em Economia Comportamental

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