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As estatísticas que provam que uma disputa de pênaltis não é loteria

Redação DuMoney 30 de outubro de 2018 atualizado às 13:29

O estudo definitivo que prova que numa disputa decisiva de penalidades apenas um fator importa para vencer o seu adversário

 

Ter o Messi no time não é garantia de vitória nas cobranças de penalidades / Wikicomons

 

Para quem fã de futebol, nem é preciso perguntar duas vezes: existe algo mais emocionante do que uma disputa de pênaltis decisiva? A resposta é um sonoro não. Só que por trás dessa pergunta retórica, há uma questão que perdura desde que o futebol foi inventado. Afinal, existe um estratégia para vencer ou pênaltis é loteria?

A superstição faz parte do esporte. O que diria aqueles torcedores que só assistem jogos com a mesma peça de roupa ou num determinado bar porque traz sorte. Mas dois pesquisadores analisaram o assunto e, através do números, chegaram a algumas conclusões. Antes de mais nada, ai vai um spoiler: usar aquela camisa antiga que você guarda com carinho no armário para jogos decisivos não ajuda o seu time a ganhar campeonatos.

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Brincadeiras à parte, os espanhóis Ignacio Palacios-Huerta, professor da prestigiada faculdade London School of Economics, e o também professor Jose Apesteguia, professor da Universidade Pompeu Fabra, de Barcelona, analisaram 2.820 cobranças de pênaltis, entre 1970 e 2008, e produziram um levantamento. Após isso, chegaram a conclusões importantes sobre as penalidades a partir de cinco variáveis.

Vamos a eles:

Times de craques x Times mais modestos

Não importa se o seu time tem entre os cobradores craques como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. Na hora da decisão, já vimos que craques como Zico, Platini e o trio citado desperdiçaram pênaltis. Não é só isso que contribuiu para grandes times saírem derrotados de penalidades contra adversário com jogadores mais modestos, mas isso também contribui. De acordo com o estudo, não adianta ter um esquadrão na hora da penalidade, já que a probabilidade de vitória para um time forte ou fraco fica perto dos 50%.

A posição dos batedores

A lenda de que zagueiros e goleiros não devem estar entre os cobradores, realmente é só uma lenda mesmo. Isso porque os estudiosos também analisaram a variável e notaram que o índice de desperdício entre atacantes e meias é similar em qualquer posição, inclusive, entre goleiros batedores de pênaltis. Portanto, não faz diferença a posição em que jogam os batedores.

Experiência do Time

Segundo o estudo, quando os 90 minutos terminam, as chances de um time, seja ele experiente em decisões de pênaltis ou novato, são as mesmas de vencer ou sair derrotado. Esse é outro mito muito difundido no futebol: times “cascudos” estão mais acostumados aos pênaltis.

Fator mando de campo

Ter apoio da torcida é bom, certo? Realmente, estar de frente para a torcida pode ser um combustível a mais na hora de bater pênaltis. Mas, segundo o estudo, isso não ocorre na prática. Um time decidir uma final de campeonato no próprio estádio em cobranças de pênaltis é tão arriscado quanto disputar no campo adversário.

A ordem das cobranças

Enfim, o fator de desequilíbrio: os times que começam chutando os pênaltis ganham 60% das vezes!

Explicação:  imagine que o jogo está sendo disputado entre o time A e o B. Quando o batedor do time A inicia a cobrança de pênaltis, segundo o estudo, a chance dele fazer o gol é de 79%. Já o primeiro jogador do time B a chutar tem 14% de chance do goleiro defender. Para você sentir a disparidade, a chance do primeiro jogador do time A ter o pênalti defendido é de apenas 7%.

Em parte, isso se explica pela pressão que se cria sobre o jogador do time B, principalmente quando o primeiro atleta do A chuta e marca o gol. Isso faz com que a responsabilidade aumente.

Para tentar corrigir isso, a FIFA, entidade máxima do futebol, estuda uma forma de ajustar isso. A ideia é usar o mesmo sistema que o tênis adota em momento de desempate: cobranças no formato ABBAABBAA…

Ou seja, deste jeito o time A inicia a cobrança, mas, em seguida, o time B chuta duas vezes; depois é a vez de dois jogadores do time A e por aí vai. Nesse sistema, a pressão sobre os ombros do atletas alterna de uma foma mais justa.

“Os números são frios e mostram o quanto as interpretações da pessoas baseadas em impressões podem estar erradas. Dentre todas as variáveis, a posição dos batedores, à primeira vista, é que menos salta aos olhos, principalmente para quem acompanha futebol. Imaginar que ter o Messi no próprio estádio não é tão vantajoso assim é uma quebra de paradigma. Mas as estatística é fria e mostra realmente o que ocorre”, afirma o economista e professor Ighor Rodrigues.

 

Em Economia Comportamental

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