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Arriscando a própria pele: críticas de Nassin Taleb às instituições

Redação DuMoney 25 de janeiro de 2019 atualizado às 16:40

O escritor e investidor Nassin Taleb critica em seu livro, Arriscando a Própria Pele: Assimetrias ocultas no cotidiano, as instituições e quem as lidera por não sofrerem as consequências de suas decisões

executivo pendurado em balões na beira de um precipício

Segundo Nassim Taleb, quem não arrisca a própria pele não é confiável / Shutterstok

 

Autor, ensaísta, estatístico, analista de riscos e matemático de formação, Nassim Nicholas Taleb , 58 anos,  conhecido por ser um megainvestidor do mercado financeiro. É também professor do Instituto Politécnico da Universidade de Nova York e presidente da empresa de investimentos Empirica, também atuando como conselheiro do grupo Universa.

De origem libanesa e naturalizado americano, Taleb é autor de uma coletânea chamada Incertoa série de livros trata sempre sobre a incerteza. Até agora conta com cinco volumes:  Skin In the Game (Arriscando a Própria Pele), Antifragile (Antifrágil), The Black Swan (A lógica do Cisne Negro), Fooled by Randomness (Iludidos pelo Acaso), and The Bed of Procrustes (A Cama de Procusto).

Toda a coletânea trata sobre a incerteza, o acaso e o imprevisível, porém cada livo aborda um ângulo diferente da questão.

O livro Skin in the Game (Arriscando a Própria Pele, 2018) é uma boa janela para se ter uma visão geral do trabalho do autor. No livro, Taleb prega que instituições, governantes, grandes empresas e pessoas que tomam decisões importantes, que afetam a sociedade, devem assumir responsabilidades, ou melhor, os riscos referentes ao que decidem.

Diz a lenda que o termo (skin in the game), popular em Wall Street, foi criado pelo bilionário Warren Buffett para ilustrar a postura do investidor que sofre as consequências das suas apostas no mercado financeiro, sem transferir o prejuízo ou a culpa a outrem.

QUANDO LEVAR ALGUÉM A SÉRIO

A ideia central de Arriscando a Própria Pele é que, devido às desigualdades de risco, devemos desconfiar de todos aqueles que “tiram o seu da reta”. O político que determina um sistema de saúde pública, mas se trata em hospital particular; e o corretor financeiro que recomenda uma ação, mas não a inclui em seu portfólio pessoal, não devem ser levados a sério, segundo o ensaísta.

“Nós somos cada vez mais governados por uma elite intelectual, política, econômica e cultural que não arca com as consequências das decisões que toma”, escreve Taleb, citando uma prática dos antigos romanos de obrigar engenheiros a dormirem embaixo da ponte que construíram. Ou seja, de acordo com esse costume, os engenheiros se esforçariam realmente para fazer uma estrutura sólida e segura, pois seriam diretamente afetados pela qualidade de seu trabalho.

“Todo o crescimento da sociedade, seja econômico ou moral, sempre advém de um pequeno número de pessoas. Se a pele deles está em risco, isso pode alterar condições fundamentais da sociedade.  A sociedade não evolui pelo consenso, pelo voto, pela maioria, por comitês, por reuniões prolixas, por conferências acadêmicas, e por pesquisas de opinião; somente algumas poucas pessoas já são o suficiente para alterar o equilíbrio da balança desproporcionalmente.”

As ideias impactantes e o temperamento questionador renderam a Taleb o apelido de “Nietzsche de Wall Street”. O professor não poupa críticas à academia, às corporações, aos bancos, aos governos e até mesmo ao empresariado que o venera. Bastante ativo nas redes sociais e no site Medium, dispara esses julgamentos com o argumento de que nossas instituições, e as pessoas que as lideram, vivem protegidos por uma grossa redoma que impede que suas pontes caiam sobre suas cabeças.

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