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A Economia Comportamental aplicada na saúde de pacientes renais

Redação DuMoney 13 de novembro de 2018 atualizado às 15:25

Como a mudança de hábito é capaz de alterar comportamentos para seguir as recomendações médicas? Pesquisadores “beberam na fonte” da economia comportamental e ajudaram pacientes

 

Gatilhos da teoria comportamental foram utilizados no tratamento de cálculo renal / Schutterstock

 

Pedras nos rins são dolorosas. A maioria das pessoas que já sentiram o incômodo dizem que fariam qualquer coisa para evitar a sensação. Qualquer coisa, isto é, exceto seguir as ordens do médico. Isso porque boa parte dos pacientes não seguem uma recomendação básica: aumentar a ingestão diária de líquidos.

Ao tratar cálculos renais, a maioria dos médicos recomendam que seus pacientes bebam líquidos suficientes para produzir mais de 2,5 litros de urina por dia, mas a maioria não o faz. Por esse motivo, médicos e pesquisadores da área estudaram maneiras de tentar diminuir o contingente de pessoas que não seguem as recomendações. O objetivo, claro, é criar incentivos por meio de gatilhos capazes de alterar o comportamento.

Essa alavancagem vem de um campo conhecido como economia comportamental, que se baseia na psicologia comportamental para explicar por que as pessoas tomam decisões econômicas.

“Com essa premissa, mudou-se o foco para os cuidados de saúde, onde os pesquisadores tentaram determinar por que as pessoas tomam decisões de saúde precárias e como reagir a isso”, afirma o economista Ighor Rodrigues.

COMO FUNCIONOU O ESTUDO

Ao longo de dois anos, pacientes com histórico de problema renal fizeram parte de um estudo em que usaram uma garrafa de água “inteligente” conectada a um dispositivo móvel que mede a quantidade de água consumida a cada dia. Os participantes recebiam “recomendações sobre ingestão de líquidos” individualizadas, e aqueles que conseguiam atingir a meta, recebiam um recompensa financeira. Por outro lado, aqueles que não cumpriam consistentemente os objetivos recebiam treinamentos personalizados para ajudar a alcançar os objetivos.

Como era de esperar, o engajamento de pacientes com as recomendações dos médicos disparou. De acordo com o estudo, 76% dos que não costumavam beber a quantidade necessária de líquidos, passaram a beber o mínimo recomendado.

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Durante o estudo, foram destacados três princípios econômicos comportamentais que ajudaram pacientes a alcançar os objetivos do tratamento. Segundo os pesquisadores, esse acompanhamento por um longo período  foi fundamental para corrigir e fazer com que o tratamento fosse mais assertivo.

INSIGHTS DA ECONOMIA COMPORTAMENTAL NO ESTUDO

O primeiro insight foi o de aversão à perda. No início, os pacientes que batiam suas metas, recebiam US$ 2 por dia. Mas o incentivo de dar US$ 60 e tirar US$ 2 todos os dias em que a meta não era batida, funcionou melhor. A ideia reflete o conceito de que as pessoas realmente não gostam do conceito de perder algo que eles achavam que tinham.

O segundo princípio foi de recompensas sociais. Neste caso, quando alguém atingia a meta de ingestão de líquido, era possível enviar uma nota para sua rede social preferida ou para alguém designado pelo próprio paciente para receber as informações do desempenho. Assim, segundo o estudo, foi notado que quem era parabenizado, conseguia melhores resultados ao executar as tarefas.

Outra opção foi a de usar viés de enquadramento. Neste sentido, foram separados dois grupos: o primeiro recebia do médico a informação de que beber água pode fazer com que as dores sejam evitadas; Já o segundo grupo recebia uma mensagem mais enfática, ou seja, de que beber água realmente diminui uma possível dor. Não é difícil imaginar que aqueles que receberam a mensagens que davam mais certeza sobre a ação preventiva, teve resultados melhores.

Em Economia Comportamental

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